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Mindy Kaling e como romantizar (de forma empoderadora) a rotina

Quando se fala em Mindy Kaling, algumas pessoa se perdem um pouco sobre sua personalidade. Isso porque ela tem muito mais do que apenas uma profissão e segue conquistando os corações de quem quer ter uma pitada de humor e romance no seu dia a dia. Além de ter atuado em The Office, Mindy também escreveu 23 episódios da série. Um deles, o do casamento de Pam e Jim, garantiu a ela a nomeação ao Emmy de Melhor Roteiro em Série de Comédia em 2005, ao lado de Greg Daniels. Ela também dublou a Nojinho, na versão original de Divertida Mente, e atuou em outros filmes.

Quando The Office estava acabando, ela foi desafiada a escrever o piloto de sua própria série, The Mindy Project, que ganhou três temporadas na tv a cabo e depois foi tranferida para o serviço de streaming Hulu, onde já está na quinta temporada. Acabou por aí? Óbvio que não, afinal ela também é a atriz que interpreta o papel de Mindy na série, uma caricatura do que ela é na vida real. Ela ainda dirige  (segunda seu depoimento), escreve os episódios e ainda lançou dois livros enquanto tudo isso acontecia, Is Anyone Hanging Out Without Me?, de 2012, e Why Not Me?, de 2015. 

Hoje vou falar aqui sobre sua influência na mídia, na vida de suas espectadoras e em como ela se transformou em uma das 100 pessoas mais influentes da década, de acordo com ranking publicado pela revista Time em 2013.

Assim como ela sempre lembra em seus discursos – tanto no seriado, como em seus livros – uma mulher de cor (nascida nos Estados Unidos, Mindy é filha de imigrantes indianos) que não segue os padrões de beleza que a sociedade hollywoodiana impõe só consegue as coisas de duas formas: trabalhando muito e trabalhando um pouco mais. Para ela, ser roteirista é a profissão mais divertida do mundo, pois essa é a hora de criar uma história que pode transformar a visão das pessoas. Mindy não perde a oportunidade de dizer em suas entrevistas que acredita muito na identificação das pessoas com a vida real na TV. Segundo ela, “se eu quiser ver um mundo irreal, eu assisto as Kardashian”. Piadas a parte, são personalidades como a de Mindy que conseguem levar para o consumo geral do público um toque romântico do dia-a-dia sem perder a realidade.

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“Isso foi, tipo, loucamente inspirador”

Sua personagem em The Mindy Project, Mindy Lahiri, é médica obstetra e trabalha numa clínica com mais 3 médicos homens. Ela é uma das sócias da empresa e diariamente batalha por mais espaço dentro do seu ambiente de trabalho e para levar suas ideias adiante. Ela também possui um lado mais sensível que procura o amor. Não é só porque ela é uma mulher independente e empoderada que ela não pode sonhar com um príncipe encantado. Para ela, a busca é por uma pessoa que seja sua companheira e que entenda que sua vida de médica é bastante corrida.

Por que condenar o romance de todos os dias? O amor existe (até que se prove o contrário), não é mesmo? Pergunto por que uma mulher poderosa não pode amar ou tem que ser permanentemente taxada de desesperada só por querer encontrar alguém legal por aí. Mindy cresceu assistindo comédias românticas e ama juntar pessoas novas, então qual é o problema de viver um romance? A questão não fica restrita a amar alguém, mas também, e principalmente, amar a si mesma. Mindy Lahiri ama seu apartamento, suas coisas, uma boa comida, o Empire State iluminado e tudo isso é romance para ela, é oxitocina, é um sentimento de realização.

E Mindy (Kaling) vai além: em seus livros ela fala sobre muitas situações de sua vida, desde a faculdade até a estreia do seu piloto na TV, e demonstra ser uma mulher extremamente real. Ela conta que não era muito popular na faculdade para explorar “tudo que a fase proporciona”, brinca que seus segredos de beleza são comida boa e cremes caros, diz que não sente vergonha nenhuma de seu corpo na hora que precisa fazer cenas de nudez e admite que acha o máximo poder ~pegar~ diferentes atores bonitões na TV. Algumas dessas situações se repetem ou são imaginadas também em nossas vidas mortais.

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“Meu corpo se sente muito atraído pelo seu corpo, mas quando você fala o meu cérebro fica com raiva”

No último capítulo do livro Why Not Me?, a autora fala muito sobre qual o sentimento mais importante – depois do amor – na vida de qualquer um: a confiança. Ela incentiva: “trabalhe duro, mostre ao que você veio, não aceite não como resposta, escute a opinião somente de quem importa para você, não seja somente doce, seja confiante.” Ler seus livros e assistir a seu seriado nos faz entender que existe, sim, identificação dentro de ideias vendidas, que existem pessoas como ela e outras incríveis atrizes, comediantes, escritoras, produtoras e diretoras que conseguiram mostrar que o que elas pensam merece ser ouvido, o que enche de empoderamento o coração de todas as consumidoras de suas ideias. 

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