CINEMA

Mesa Redonda: os quinze anos de Como Perder Um Homem em 10 Dias

O ano era 2003 e a comédia estrelada por Kate Hudson e Matthew McConaughey, estreava nos cinemas. Como Perder um Homem em 10 Dias estreou no mesmo ano em que acompanhamos a novela Mulheres Apaixonadas, tivemos o lançamento do último filme da trilogia O Senhor dos Anéis e todo mundo cantava Hey Ya! do OutKast e dançava ao som de Crazy in Love, da Beyoncé – não que isso tenha mudado alguma coisa em quinze anos. Muita água rolou de lá pra cá, algumas coisas permaneceram e outras mudaram, principalmente a maneira como consumimos cultura pop e enxergamos as personagens femininas inseridas em suas narrativas. Em uma época em que podemos assistir Big Little Lies, Feud e The Handmaid’s Tale e ficar eufóricas com a maneira como as narrativas sobre mulheres são construídas e conduzidas, como será que reagimos ao revisitar uma comédia romântica de quinze anos atrás?

Em Como Perder Um Homem em 10 Dias, acompanhamos a história de Andie (Kate Hudson), uma jornalista com uma missão: ela precisa escrever um artigo em primeira pessoa narrando o que é preciso fazer para perder um homem em dez dias para a revista feminina Compusure, para a qual ela trabalha. O alvo de sua pesquisa de campo é Ben Barry (Matthew McConaughey), um publicitário que apostou com duas colegas de trabalho que consegue fazer com que uma mulher se apaixone por ele em, adivinhe!, apenas dez dias. Andie é a escolha de Ben para sua aposta, e assim tem início a trama que levará os dois personagens em encontros fadados ao fracasso e muita torta de climão – ou não. Andie e Ben, contra todas as previsões, apaixonam-se de verdade e o resto é história.

ANA LUÍZAO filme completa 15 anos no próximo dia 27 de janeiro (!!!). Como tem sido a relação de vocês com ele nesse meio tempo? Alguma mudança drástica de opinião?

DÉBRORA: Conheci o filme pelas incontáveis vezes em que foi exibido na Sessão da Tarde e, apaixonada como sou por comédias românticas, não podia estar mais feliz com o que me era entregue pelo filme. Recentemente o revi e, apesar de ter amado quase mais do que antes, especialmente as cenas de romance, fiquei um pouco incomodada com a reprodução de alguns tropos e algumas cenas problemáticas, que antes não tinham me chamado a atenção.

PALOMA: Na verdade faz um bom tempo que eu assisti pela última vez, mas tenho certeza que assistir hoje seria completamente diferente, como é com praticamente todas as comédias românticas. Acho que o gênero em geral constrói um padrão de mocinha muito específico, mesmo esse que supostamente subverteria alguma coisa.

JÚLIA: Sempre achei a trama do filme um pouco ridícula – ridícula de uma maneira boa, mas ainda assim, ridícula. Assistindo hoje ficou ainda mais surreal, ainda mais vendo como funciona a editoria da revista – eu dei MUITA risada com a pauta “séria” da Andie sobre como fazer paz no Azerbaidjão.

DÉBORA: Se você parar para pensar, a pauta da Andie poderia ser algo que o BuzzFeed (ou algum site do gênero) faria hoje em dia.

JÚLIA: Nossa, 100% pauta de Buzzfeed!

FERNANDA: Conheci o filme lá em 2003 mesmo. Na verdade, eu ainda lembro do dia que assisti pela primeira vez porque foi uma das primeiras comédias românticas que assisti, antes de virar a grande defensora do gênero. Nesse meio tempo revi o filme algumas vezes ao longo dos anos, é um daqueles que eu sempre paro pra ver quando tá na TV. A última vez que assisti foi, provavelmente, em 2013, quando o Matthew McGonaughey ganhou o Oscar e todo mundo criticou a escolha porque ele só fazia “filminho de romance”, aí eu fui rever só de birra.

Eu concordo que o filme é ridículo, mas ele é um filme que sabe que é ridículo, né? Quer dizer, aquele dueto lá no final praticamente berra isso.

PALOMA: É muito ridículo mesmo! Acho que romcoms trabalham muito com suspensão da descrença, mas de um jeito problemático que raramente se admite como tal.

JÚLIA: Eu amo essa suspensão da realidade de romcoms, adoro que todo mundo é lindo, não tem problemas financeiros e o mundo é perfeito. Às vezes é ótimo ver essas coisas na ficção.

ANA LUÍZA: O dueto! Acho que o que Paloma disse faz total sentido: comédias românticas, de modo geral, trabalham muito com suspensão de descrença – quase sempre de um jeito problemático –, então a gente meio que acredita que, pelo menos naquele contexto, aquilo pode acontecer mesmo. Mas é 100% deslocado da realidade, não tem muito pra onde fugir.

DÉBORA: Talvez por isso que, por mais que o nosso consciente saiba que aquilo não é real e dificilmente vai acontecer com a gente, ainda ficamos um pouco frustradas pelo amor ideal (mostrado nessa realidade quase que alternativa de comédias românticas) não bater na nossa porta.

FERNANDA: Então, para mim a suspensão de descrença é parte da magia, sabe. Sei que existe uma discussão sobre romcoms venderem ideias pouco realistas – e às vezes simplesmente bem erradas, tipo uma das que eu mais amo, que é Questão de Tempo – sobre romance e amor, mas pra mim é isso. Algo deslocado da realidade. É tipo sentar no cinema pra ver… Harry Potter.

JÚLIA: Sim, concordo!!! Acho legal a gente sair do mundo real por duas horas e viver uma fantasia. Romcom é quase lógica de sonho.

ANA LUÍZA: Acho que são níveis diferentes de suspensão. Uma fantasia precisa que você acredite em coisas como magia, criaturas que não existem, escolas de bruxaria extraordinárias, mas não deixa de ser mágico em algum nível você ter um lugar que parece a vida real, mas não realmente. Quando a Débora fala sobre ficarmos frustradas pelo amor ideal, acho que é um pouco consequência disso: é mais fácil acreditar que o Homem Perfeito™ vai aparecer na nossa porta, no meio da noite, do que, sei lá, um centauro. É irreal, mas não impede que a gente sonhe. Por outro lado, se a gente for parar pra pensar, o filme meio que quebra isso em outros pontos, porque o relacionamento da Andie com o Ben começa 100% errado.

DÉBORA: E vai morro abaixo por quase 80% do filme, até dar certo (surpresa!) no final.

FERNANDA: Ah, sim, com certeza! São níveis diferentes de fantasia, mas é fantasia de qualquer jeito. Não é a toa que em geral os filmes terminam assim que um relacionamento começa, né?

ANA LUÍZA: Exatamente. Ninguém quer falar o que acontece depois. É muito bonito ver toda a história até o casal realmente se formar, mas sinto falta de histórias que mostrem o depois. Será que Andie e Ben realmente continuariam juntos depois de um tempo?

DÉBORA: Eu diria que, depois de toda a loucura que eles passaram, sim. Mas talvez eu só esteja idealizando mais ainda algo que já é idealizado.

JÚLIA: Olha, acho que nesse filme talvez sim. Porque os dois estavam querendo vencer uma aposta, né, e o filme meio que quebra esse tropo porque os dois estão querendo provar um ponto usando o relacionamento como o meio pra chegar no objetivo final.

DÉBORA: Claro que o Ben não largou a Andie, enquanto ela estava agindo fora de si, por causa da aposta, mas acho que isso ajudou a criar uma cumplicidade, uma espécie de “já te vi no seu pior” – mesmo que quando ocorreu não tenha sido, de fato, real –, que ajudou, de certa forma, a sedimentar a relação deles de forma positiva no final.

PALOMA: São fantasias, claro, mas constroem um imaginário. Especialmente porque a gente assiste isso desde muito novas, não dá pra ficar imune. Não só padrões irreais de relacionamento como padrões irreais de feminilidade e de beleza.

FERNANDA: Então, nunca dá pra saber como seria conforme a vida segue, mas acho que o mais interessante do filme é justamente que ele vai acontecendo todo torto, então eles começam conhecendo um lado bem “negativo” um do outro, que é o de fazer essa aposta ridícula pra começo de conversa.

DÉBORA: Eu acho que a parte da aposta do Ben é a mais ridícula. Ele nem pensou o que faria depois que a mulher estivesse se apaixonado por ele? Ele simplesmente a deixaria depois que conseguisse o emprego?

ANA LUÍZA: Fiquei pensando nisso depois de rever o filme esses dias e… não sei? Seria uma falha, realmente, se depois de tudo o que rolou eles não ficassem juntos, mas o filme acontece em tão pouco tempo que fico curiosa pra saber como seria o depois.

JÚLIA: São 10 dias bem intensos!

PALOMA: Esse filme em si eu concordo que nem é dos piores, justamente porque eles não ficam juntos por causa de um encanto mágico, amor a primeira vista, mas sim por conta de uma aposta.

ANA LUÍZA: Acho que nenhum dos dois considerou o que aconteceria depois, porque eles só estavam pensando neles mesmos – e, no caso da Andie, também na amiga que tinha acabado de terminar um namoro. Nesse ponto acho que o filme é bem ótimo de estabelecer que os dois estão ali por interesses próprios, não tem essa da garota enganada, da garota que é usada por um cara, etc etc. Ela também o usou, ao seu próprio modo. Mas me incomoda que a parte “ruim” dela sejam características que parecem tão… femininas? Bichinhos, excesso de cor de rosa, música pop e vestidos rodados. Na vida real, a Andie é a típica cool girl, mas será mesmo que existe algo de tão errado assim em gostar de coisas de mulherzinha?

DÉBORA: Como a Paloma bem disse, filmes assim criam um padrão de feminilidade e beleza assustador. Fiquei surpresa (não deveria, na verdade) e até triste como existem diversas insinuações gordofóbicas ao longo do filme (além de outros estigmas negativos, claro).

JÚLIA: É… o interesse em comum deles é esporte, mas ela tem que esconder isso dele pra fazer com que ele termine o namoro.

PALOMA: É exatamente isso que a Ana Luíza disse.

DÉBORA: Nossa, demais, Ana! Quando Andie aparece pela primeira vez com o cabelo preso em um penteado, com um vestido bem de dona de casa norte-americana, o monólogo de Garota Exemplar sobre esse estereótipo não parava de se repetir na minha mente. Eles basicamente pegam tudo aquilo que a sociedade, especialmente os homens, estabeleceram como ruim em um relacionamento e reproduzem sem a menor intenção de subverter ou problematizar.

PALOMA: É uma coisa muito perversa porque empurram esses estereótipos pra gente dia e noite, mas a mulher perfeita é algo que necessariamente repudia tudo isso – menos os padrões estéticos porque isso não pode.

DÉBORA: Sim! É um paradoxo, né? Precisamos, para ser mulher, gostar de cor-de-rosa, ser delicada, amar vestidos e tudo isso, mas se formos assim enquanto nos relacionamos amorosamente, vamos afugentar os homens? Então teríamos que basicamente reprimir o que nos disseram a vida inteira para que um homem goste de nós? Isso dá um nó na cabeça de qualquer mulher.

ANA LUÍZA: É exatamente isso. Tem um momento que, lembrando agora me incomoda demais, em que ela fala que fez um mestrado em Columbia, se não me engano, que não deveria trabalhar onde trabalhava, que queria escrever sobre coisas sérias. Tudo bem que a revista parecia ter um discurso bem equivocado de modo geral, mas fiquei pensando se o fato de ser uma revista feminina não era o problema, como se você não pudesse ser uma jornalista séria se escrevesse para um veículo voltado para o público feminino. Ela mesma inferioriza isso e é algo que consigo relacionar com muito que já ouvi na vida mesmo. Tenho certeza que muita mulher incrível gostaria de escrever sobre moda, ou talvez sobre maquiagem, mas pensa duas vezes – ou é inferiorizada por isso – porque “Deus me livre escrever sobre coisas de mulherzinha”.

FERNANDA: Sim, isso é um dos aspectos mais incômodos do filme mesmo. Seria ótimo se o filme questionasse por que a Andie, na hora de pensar no que é insuportável, cria essa personagem. Tudo nela – tanto a personagem quanto ela de verdade – são coisas absorvidas bem passivamente da nossa cultura. Mas suponho que esse não é um filme que… questiona… coisas.

DÉBORA: Como jornalista eu me vi na Andie em alguns momentos. Também tenho essa sede de escrever sobre “coisas sérias” que, teoricamente, ajudariam a mudar o mundo. Mas concordo totalmente com o fato que eles abordam isso de maneira errada, jogando praticamente na cara que se você tiver esse desejo de escrever sobre coisas de “mulherzinha” não será merecedora do seu diploma. Andie estar infeliz com seu emprego não quer dizer que alguém não possa se sentir realizada fazendo o que ela fazia. É uma pena que o filme não deixe isso claro.

FERNANDA: E essa discussão sobre a revista também é interessante, porque ao mesmo tempo que é problemático inferiorizar esses assuntos “de mulher”, a gente sabe que em muitos casos esse tipo de revista vende umas ideias bem erradas. É sempre uma via de mão dupla.

ANA LUÍZA: De fato, não é. Fora que esses questionamentos são relativamente recentes na escala que vemos hoje. Acho que pouquíssima gente que assistiu ao filme em 2003 ia levantar questões que são trazidas à luz com mais facilidade hoje em dia.

PALOMA: Mas eu acho que o que reproduz e não questiona acaba reforçando os padrões.

DÉBORA: Sim! Eu acho que se a gente fosse apontar o maior defeito do filme seria, justamente, eles reproduzirem diversas coisas erradas sem questionar ou tentar subverter isso, deixando, no final, como algo normal e corriqueiro.

FERNANDA: Concordo. Você pode incluir certas coisas numa obra sem necessariamente dizer que aquilo é certo, mas se você simplesmente reproduz é como se concordasse, mesmo que a intenção não seja essa, porque o espectador não pode ter que fazer o trabalho todo por você pra justificar sua obra.

ANA LUÍZA: Sim, sem dúvida. Além de venderem ideias erradas, no filme, uma coisa que me chamou bastante atenção foi a resistência da editora chefe em autorizar pautas diferentes, as tais “coisas sérias” de que a Andie tanto queria falar. Certamente existem mulheres que querem ler sobre essas coisas e que achariam ainda melhor lê-las numa revista feminina, pelo ponto de vista de outra mulher.

JÚLIA: É bem irônico isso, né, é bem o que a Fernanda falou lá em cima, porque ao mesmo tempo que o comportamento “mulherzinha” da Andie serve pra afugentar o cara e é vendido como “ruim”, a revista continua reafirmando que é isso que mulheres querem consumir.

ANA LUÍZA: A grande ironia que é ser mulher em uma sociedade patriarcal, risos.

DÉBORA: Acho que o máximo que o filme chega a subverter algo é quando coloca o Ben como um homem que curte comédias românticas – desculpa, precisava falar isso!

ANA LUÍZA: Realmente, tinha esquecido desse detalhe! Normalmente comédia romântica é um gênero que passa bem longe do ideal masculino também, né? Coisa de homem é ação, tiro, porrada e bomba.

DÉBORA: Com certeza! Até por isso a cara da Andie quando ele fala que tá curtindo o filme é impagável!

ANA LUÍZA: Aquela cena é maravilhosa! O filme tem seus bons momentos, né?

DÉBORA: Demais! Eu vou do riso histérico ou choro em questão de algumas cenas!

FERNANDA: Pra mim tem vários bons momentos (o dueto, por exemplo, pra sempre em nossos corações). Vou fazer um comentário possivelmente polêmico, mas eu não acho que o filme (ainda mais um de 2003) precise subverter qualquer coisa. O problema nem é tanto no individual, é que se você for ver o conjunto do gênero – tradicionalmente “de mulher”, ou pelo menos assim é vendido –, é assim com muita, muita frequência. Aí é impossível não questionar certas coisas.

ANA LUÍZA: Uma coisa que gosto muito é como a relação da Andie com as amigas é tranquila e sem grandes dramas. Toda a história do tema da coluna começa porque ela quer impedir que a amiga perca o emprego; o tempo todo elas se divertem com a situação e mesmo quando a Andie fica mal pelo término com o Ben, isso não a impede de ficar feliz quando o ex da amiga aparece na porta dela. Não deveria ser algo admirável, mas acho bacana essa representação de amizades femininas que não caíam no clichê vazio das amigas que rivalizam entre si, que não conseguem lidar com a felicidade de outra mulher se elas mesmas não forem felizes primeiro.

DÉBORA: Concordo totalmente! Nesse sentido, o que vocês acham de como o filme representa a duas concorrentes do Ben, Judy Spears (Michael Michele) e Judy Green (Shalom Harlow), que são praticamente todo o pivô da aposta, na verdade?

JÚLIA: Acho que elas estão ali exatamente pra a aposta acontecer, né, pra fazer a trama continuar.

DÉBORA: Acho meio problemático, mas, no momento, não consigo expor bem o porquê desse pensamento.

ANA LUÍZA: São meio estereotipadas, meio bad girls demais pro meu gosto – aquela coisa de terninhos, roupas e maquiagens super sóbrias, etc etc –, e elas não têm desenvolvimento nenhum para além da aposta. Mas acho massa que as duas se juntam pra conquistar um objetivo comum – no caso, a conta da agência – e ficam nessa até o final sem virarem uma contra a outra quando o plano não dá certo. Elas não são boazinhas, mas não é como se elas estivessem preocupadas em ser – de novo, são mais duas pessoas que só estão ali apenas pensando nelas mesmas. O fato delas terem o mesmo nome é meio ridículo, né? Fora que em momento algum elas se preocupam com a Andie também, mas não é como se elas não soubessem onde aquilo ia dar – elas sabiam da coluna, afinal, só queriam ver o circo pegar fogo e levar a conta.

DÉBORA: É, pois é. Primeiro que terem o mesmo nome, denota totalmente a falta de vontade de desenvolverem de alguma forma as personagens. Realmente, as duas são apenas meios para um fim. Acho que o meu incômodo reside no fato que, com elas, temos o oposto do que a Ana destacou com a amizade da Andie com as outras mulheres. Elas em nenhum momento se importam com a Andie, mas, novamente, como já foi tipo, todo mundo no filme meio que está em uma situação cada um por si.

FERNANDA: Mas o filme apresenta bons exemplos de amizade feminina, né? Acho totalmente plausível que existam outras mulheres que só estão pensando nelas mesmas e não estão nem aí pra quem sai perdendo na história. Não acho que chegue a ser uma falha ou um grande problema.

ANA LUÍZA: No caso das duas é diferente porque elas não conhecem a Andie, enquanto a Andie tem um relacionamento com as amigas. Confesso que gosto dessa ideia de mulheres pensando em si mesmas e em mais ninguém. É problemático, claro, mas não deixa de ser interessante ver mulheres nesse papel. Normalmente são homens, mas homens meio que podem fazer tudo o tempo inteiro. Ninguém fala nada se eles decidirem pensar só neles mesmos, talvez isso nem nos faça gostar menos deles ou qualquer coisa assim; é um tratamento completamente diferente com personagens femininas – que logo viram maus exemplos, yada yada –, então por mais que elas não tenham um desenvolvimento, acho bacana que elas pelo menos existam.

FERNANDA: Sim! Fica mais difícil quando mulheres continuam sendo mais ou menos 30% das personagens, quando várias dessas personagens estão cercadas apenas de homens (homens bacanas e homens horríveis e tudo é válido).

DÉBORA: Esse é meio que o ponto da nossa briga por diversidade e representatividade, né? Poder chegar a um momento em que há tantas facetas sendo mostradas nos mais diversos produtos da cultura pop, que podemos apreciar personagens femininas sendo boas ou más, e assim ocupando papéis que, normalmente, seriam só de homens.

ANA LUÍZA: Exatamente!

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