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Califórnia, estamos chegando: os melhores episódios de The OC

Queridas leitoras, o Segredo é real: depois de anos de espera, no dia 1º de outubro — também conhecido como amanhã! — The OC finalmente será adicionada ao catálogo da Netflix. Por enquanto só 3 das 4 temporadas da série estarão disponíveis, mas já é o suficiente para matarmos a saudade de Ryan Atwood (Ben Mackenzie), Marissa Cooper (Mischa Barton), Seth Cohen (Adam Brody) e Summer Roberts (Rachel Bilson), o quarteto fantástico de Orange County. Criada por Josh Schwartz, também responsável por Gossip Girl, a série ficou no ar de 2003 a 2007 e foi um fenômeno teen da época, gerando quase um sub-nicho muito específico de televisão: The Hills e Laguna Beach são atrações diretamente derivadas de The O.C., evidência da obsessão momentânea da cultura pop pela vida de adolescentes endinheirados da costa oeste americana.

A série forjou o caráter dos jovens millennials dos anos 2000 e deu o tom do mainstream pop daqueles tempos,  numa mistura gostosa com o universo alternativo, como uma espécie de versão mais cool de Barrados no Baile. Os dramas de pobres meninos ricos não mudam — as mesmas brigas nas festas, as famílias problemáticas, os romances, a boa e velha teenage angst — , mas em The OC eles eram embalados pelo indie rock em sua melhor fase (bandas como The Killers e Death Cab For Cutie fizeram participações especiais na série, assim como a subcelebridade do momento, Paris Hilton), flerte com a cultura nerd (como esquecer Atomic County, a história em quadrinhos que transformou os protagonistas em super-heróis?) e uma linguagem pop direta que só perde, obviamente, para Gilmore Girls.

The OC foi a primeira série que assisti e teve uma influência gigantesca na minha formação, de um jeito que ainda me pego repetindo algumas coisas só para depois lembrar que foi Seth Cohen quem disse primeiro. Por sua relevância na época e pelo espaço enorme que a série ainda ocupa nos corações dos fãs nostálgicos (de acordo com a própria Netflix, o título era um dos mais pedidos pelo público), The OC rende muitas análises — e, sim, alguns questionamentos — e nós certamente vamos adorar fazer esse trabalho, mas não hoje. Hoje vamos relembrar os melhores episódios do seriado, assim como fizemos com Gilmore Girls, para revivermos juntas as melhores emoções que passamos junto de Ryan, Marissa, Seth e Summer e matar as saudades de nossas tardes na Califórnia.

Aviso: esse texto contém spoilers!

(1×01) “Pilot” 

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Um dos melhores pilotos de série que já vi, o primeiro episódio de The OC foi feito para fisgar imediatamente os espectadores. De cara conhecemos a cinzenta Chino, cidade natal de Ryan Atwood. Expulso de casa por sua mãe alcoólatra e seu padrasto abusivo, Ryan acaba na prisão depois de tomar a culpa do irmão pelo roubo de um carro. Quem aparece para defendê-lo é Sandy Cohen, defensor público e bom samaritano, que leva Ryan para sua casa na ensolarada Newport Beach. É assim que ele se transforma no estranho no paraíso — título da série no Brasil — e conhece um pouco mais desse universo através de Seth Cohen, filho nerd de Sandy, e Marissa Cooper, rainha do baile e garota da casa ao lado.

Logo no primeiro episódio Ryan também é introduzido a duas constantes do universo de The OC: a relação complicada de Marissa com o álcool e as festas que sempre terminam em brigas. “Welcome to the OC, bitch!”, diz Luke depois do batismo de sangue de Ryan nas areias da Califórnia, e o resto é história.

 (1×13) “The Best Chrismukkah Ever”

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É tradição da TV americana transformar as festas de fim de ano em episódios icônicos, e não foi diferente com The OC. Não é apenas um episódio de Natal, é um episódio de Chrismukkah, festa inventada por Seth misturando o Natal cristão católico de sua mãe com o Hannukah judaico de seu pai. Apesar dos seus (insistentes) esforços de transformar o primeiro Chrismukkah de Ryan num dia perfeito, tudo sai do controle bem à moda The O.C., o que faz do episódio uma síntese perfeita do seriado. Marissa, nossa garota problema favorita, rouba um batom de uma loja e é pega pela segurança, fica muito bêbada na festa de Natal e tenta sair sozinha de carro, obrigando Ryan a se jogar na frente pra prevenir um desastre maior. 

Enquanto isso, Seth brinca de fazer malabarismo com garotas, enrolando Summer e Anna ao mesmo tempo. Enquanto não se decide entre elas, ele dá presentes iguais para as duas, que preparam algo especial para ele: o presente de Anna é uma história em quadrinhos artesanal feita por ela, com Seth no papel principal e participação especial do Capitão Aveia; já Summer se transforma no próprio presente ao se vestir de Mulher Maravilha para ele. Poderia dizer diversas coisas sobre isso, mas não quero macular a lembrança feliz que esses momentos icônicos me trazem. Se serve de consolo, no final do episódio elas percebem que estão fazendo papel de bobas e dão um ultimato para Seth.

(1×19) “The Heartbreak” 

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Antes de começar a fazer essa lista, perguntei no Twitter quais os episódios favoritos das pessoas para ter um direcionamento diante de tantos episódios que amo, mas desde o início sabia que esse estaria na lista, o meu favorito pessoal. The Heartbreak é um especial de dia dos namorados todo focado em romance: Sandy e Kirsten tentam driblar o fato de que depois de tantos anos o casamento deles parece ter entrado numa rotina, o que faz com que eles terminem a noite num jantar de swing (!), que rende momentos engraçadíssimos, com muita vergonha alheia e aquela tensão de não saber até que ponto eles vão levar aquilo em diante. Ryan e Marissa estão meio brigados, mas quem se importa com eles quando Seth e Summer estão prestes a perder a virgindade juntos?

Por mais fofa que tenha sido a declaração de amor dele (do tipo que coloca borboletas no meu estômago até hoje), por mais que toque Hello Sunshine no momento, a primeira vez deles é… desajeitada. O que é normal! Eles são atrapalhados, não sabem bem o que fazer, e ver Seth tentando explicar o momento pro Ryan, desesperado por conselhos (“Eu me sentia como o Nemo, que só queria voltar pra casa”), é um espetáculo a parte, assim como a conversa sobre sexo que ele tem com o pai. Depois de algumas tentativas frustradas e uma conversa honesta, Summer e Seth decidem ir com menos sede ao pote e começam tudo de novo, dessa vez dançando de rostinho colado ao cover que o Ryan Adams fez pra Wonderwall. É terno, divertido e uma das representações mais legais de primeira vez que já vi num seriado.

(2×14) “The Rainy Day Woman” 

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Do mesmo jeito que o beijo de Peter Parker e Mary Jane no primeiro filme do Homem Aranha é um dos beijos mais clássicos do cinema, a releitura desse momento entre Seth e Summer acabou se tornando um dos beijos mais icônicos da televisão e talvez a cena mais famosa do seriado. Mas antes do beijo, muita confusão: na segunda temporada Summer está namorando Zach e Seth até tenta conviver com essa situação, mas perde o controle depois de um tempo. Summer fica dividida entre o namorado bacana que quer levá-la pra Itália e, bem, Seth Cohen. Ela desiste da viagem de última hora e sai em busca de Seth no meio de uma tempestade. Ele está em casa, em cima do telhado, com uma máscara de Homem Aranha, até que cai, fica pendurado de ponta cabeça, e o resto vocês já sabem, né?

É também nesse episódio que a situação entre Marissa e Alex, um dos ships mais adorados do seriado, fica mais sério. Depois de contar pra sua mãe que está namorando uma garota, Marissa sai de casa e vai morar com Alex.

(2×15) “The Mallpisode” 

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A primeira parte da segunda temporada tem uma dinâmica um pouco diferente da primeira, com menos episódios que trazem o quarteto fantástico numa mesma situação. Os quatro estão vivendo dramas paralelos, até se juntarem novamente nesse episódio, mais especificamente num shopping, depois do fim do expediente. Seth, Summer e Marissa arrastam Ryan para fazer trabalho voluntário, numa tentativa de tirá-lo da bad depois que Lindsay volta pra Chicago. Só que aí, numa virada inesperada dos eventos, os quatro acabam presos no shopping. O que você faria se visse presa num shopping à noite com seus melhores amigos? Os quatro se divertem, jogam hóquei e é um bom momento para reconstruir laços que estavam meio frouxos.

(3×25) “The Graduates” 

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Apesar do final trágico, The Graduates é um dos episódios mais importantes de The OC, porque é quase como um balanço de todo o seriado. Muitos defendem que a série poderia ter acabado aqui, já que Mischa Barton anunciou sua saída do elenco, que culminou na morte de sua personagem. Sou do time que acha que a quarta temporada foi um equívoco e que nem toda série adolescente precisa evoluir pra vida depois da escola. Veja se esse episódio não seria o final perfeito: depois de tantas idas e vindas, Ryan, Marissa, Seth e Summer finalmente se formam no colégio e atam todas as pontas soltas de suas vidas. A mãe de Ryan aparece para a formatura e lhe dá um carro de presente, o incêndio no escritório de Sandy é resolvido, desculpas são pedidas, contas são acertadas e até Marissa encontra alguma paz no coração quando decide passar um ano velejando com seu pai.  Ela e Julie têm uma conversa franca de mãe e filha, e o mesmo acontece com Ryan. Eles não estão mais juntos como casal, mas demonstram que ainda se amam e provavelmente vão se amar pra sempre — o que não deixa de ser um final feliz pra uma história de amor.

É muito simbólico quando o quarteto se reúne na velha casa modelo, aquela do início da série, o primeiro lar de Ryan, centro da primeira dentre tantas confusões e controvérsias que eles se envolveram, e o alívio e felicidade pelo fim da escola se mistura com a expectativa de um futuro inteirinho pela frente. Tudo parece perfeito, mesmo sem nenhum típico final feliz forçado. Apesar dos atores estarem na faixa dos vinte anos, a gente precisa lembrar que pelo menos na série eles são adolescentes. Por mais delusional que The O.C. seja em muitos momentos, esse final é realista pra caramba e faz muita justiça aos seus personagens e a toda a história.

Sei que os últimos anos foram uma montanha-russa. Teve tragédia, comédia, primeiros amores, corações partidos, família que perdemos e encontramos. Não foi tudo perfeito, mas estamos todos em família aqui. Então saúde!

(4×16) “The End’s Not Near, It’s Here” 

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Pra mim o series finale oficial de The OC é uma antítese daquele final perfeito que descrevi acima, se parecendo bastante com um final ruim de novela da Globo: casamento, gravidez e várias coisas se resolvendo mágica e aleatoriamente. Por mais que ache que epílogos sejam desnecessários na maior parte das vezes, não é justo ignorar o pequeno vislumbre do futuro que temos nos minutos finais do episódio derradeiro do seriado. Tudo isso pra falar que sim, o casamento de Seth e Summer é importante, principalmente porque ela  mostra a língua pra ele enquanto anda até o altar, um gesto que por anos foi meu objetivo de vida reproduzir caso surgisse a oportunidade. Nunca comprei o romance de Ryan e Taylor, mas também gosto do final dele, um arquiteto formado que agora é tudo, menos um estranho. Ao observar um garoto perdido e perguntar se ele precisa de ajuda, Ryan encerra a série da forma como ela começou, apresentando a um novo personagem a chance de olhar pra frente.

 

Resumir um seriado tão querido em tão poucos episódios é uma tarefa difícil, principalmente com uma primeira temporada tão incrível e outras nem tão incríveis assim. Mesmo assim, poderia listar episódios por horas. Essa lista não pretende ser definitiva e pode mudar, principalmente diante da possibilidade de uma nova maratona a partir de amanhã. Sendo assim, me contem, quais os episódios favoritos de vocês?

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