TV

Troféu Valkirias de Melhores do Ano: Televisão

Se nossas vidas fossem uma série de TV, 2016 seria aquele episódio decisivo da temporada, quando um dos protagonistas morre, viradas de roteiro são reveladas, o rumo da história é alterado pra sempre e descobrimos que Bruce Willlis estava morto o tempo inteiro. Com a vida real tão tumultuada, por vezes parecendo obra de um showrunner sádico (estou olhando para você, Shonda Rhimes), a televisão e os serviços de streaming trabalharam bem para manter a nossa atenção, consolar nossos corações, oferecer conforto, companhia e também nos fazer olhar de formas diferentes para dentro e para fora. Esse tipo de olhar atento e diferenciado é uma das razões de ser do Valkirias desde sua criação, e agora, ao final do nosso primeiro ano, nosso time de colaboradoras divide com vocês uma seleção pessoal dos nossos Melhores do Ano em matéria de televisão — abram alas para a primeira edição do Troféu Valkirias!

3% (2016-), Netflix

Por Paloma

A primeira série brasileira da Netflix merece um espaço nessa lista. 3% pode pecar por atuações relativamente fracas, mas dá um show em produção e em roteiro. A história contada é envolvente e cheia de crítica social, misturando as distopias jovens que nós tanto amamos com uma explanação clara sobre os grandes defeitos da meritocracia.

3% se passa em uma sociedade extremamente pobre, onde apenas 3% da população tem a sorte de ser bem sucedida em um processo seletivo pelo qual se passa, opcionalmente, aos 20 anos, para ascender, então, ao seleto grupo de pessoas que têm acesso a boas condições de vida. Os demais continuam a viver no Continente, um lugar pobre e violento. No meio disso tudo, surge uma célula revolucionária, conhecida como A Causa, que quer acabar com a segregação e construir uma sociedade mais justa. Apesar das críticas ruins que recebeu no Brasil, a série tem feito muito sucesso em outros países. Vale o esforço de abstrair as atuações artificiais e focar na importância real e simbólica da produção.

Para saber mais: 3% e o poder de uma distopia tão brasileira 

American Crime Story (2016-), FX

Por Ana Vieira

Uma das grandes novidades televisivas do ano, American Crime Story, desenvolvida por Scott Alexander e Larry Karaszewski, conta a história de crimes reais em formato de série antológica, e é tudo o que há de melhor na televisão nos tempos atuais. Já vou confessando que, por se tratar de algo que tem o dedo de Ryan Murphy no meio (ele é o responsável por séries que geram opiniões controversas, como Glee, American Horror Story e Scream Queens e atual produtor executivo de ACS), não confirmo nem nego que parte de mim começou a série com muito receio, mas nada se confirmou, porque eita que série mais boa, gente.

Nessa primeira temporada acompanhamos o julgamento do ex-jogador O.J. Simpson, acusado de matar sua ex-esposa e o amigo dela. Apelidado de julgamento do século, o caso de duplo homicídio causou frisson (isso é muito Black Mirror!!!) em terras gringas em meados dos anos 90, colocando na frente da televisão mais de 150 milhões de pessoas para acompanhar o veredito do julgamento. Envolvendo uma boa narrativa, atuações monstruosas, questões sociais como o racismo, machismo e sexismo, American Crime Story: The People vs O.J. Simpson é a pedida pra você que deseja maratonar algo diferente e top, a+, delícia, 10/10 nas férias. A série está concorrendo em cinco categorias no Globo de Ouro, e levou 9 (!) Emmys na última premiação da categoria.

Para saber mais: Marcia, Marcia, Marcia, você é uma de nós

Broad City (2014-), Comedy Central

Por Anna Vitória

Pela sinopse, pode ser que você pense que já viu Broad City antes, várias vezes, já que a comédia gira em torno das amigas Abbi Abrams (Abbi Jacobson) e Ilana Wrexler (Ilana Glazer), garotas de vinte e poucos anos que não fazem a menor ideia do que estão fazendo da própria vida, morando em Nova York e aprontando todas pela cidade. Já me disseram que Broad City era uma versão de Girls em que as personagens fumam muita maconha e, ok, Abbi e Ilana fumam muita maconha, mas não é só isso. Broad City é uma série sobre duas amigas descobrindo o seu lugar no mundo e se permitindo ser FELIZES no processo, com amor e respeito próprios — e isso é revolucionário.

O seriado nasceu da websérie homônima criada pelas duas atrizes protagonistas, Jacobson e Glazer, que ainda assinam o roteiro e a direção de boa parte dos episódios, que também conta com Lucia Aniello e Paul W. Downs em seu time de criação. O texto traz um humor provocativo, quase anárquico, e trata de sexo de formas explícitas e gráficas e traz ainda várias piadas escatológicas, mas o resultado nunca é rude, e sim natural e positivo. Garotas soltam pum, menstruam, podem gostar de sexo anal e amar os próprios corpos, e nada disso precisa ser um escândalo. Broad City não é sobre um destino, e sim sobre a jornada, e a maioria dos episódios se concentra justamente em Abbi e Ilana em busca de um objetivo simples, mas se desenrola por caminhos absurdos, muitas vezes surrealistas, e a mensagem que fica é que, independente de como termina a aventura, o que importa é quem corre do seu lado.

Brooklyn Nine-Nine (2013-), Fox

Por Lorena

Ok, essa série não é nova, mas comecei a ver esse ano e, depois de me atualizar, me tornei 100% fangirl dela. Andy Samberg, minha eterna crush, interpreta Jake Peralta, o protagonista-não-protagonista do programa, que é ambientado na 99ª delegacia do Brooklyn e, na verdade, é sobre o esquadrão inteiro. Os arcos narrativos alternam quais personagens interagem entre si em cada episódio e, apesar de ser uma série policial, o forte é a relação entre os detetives e não os casos investigados por eles. Literalmente squad goals.

Além de diversidade racial, Brooklyn Nine-Nine oferece uma multiplicidade de personagens femininas: Rosa (Stephanie Beatriz), Amy (Melissa Fumero) e Gina (Chelsea Peretti) não só são diferentes entre si, mas também apresentam dinamismo e multiplicidade em suas próprias personalidades. São personagens bem construídas que não existem só para os homens. Criada por Dan Goor e Michael Schur, fica o recado principalmente para os órfãos de The Office e Parks & Recreation: se ainda não viram Brooklyn Nine-Nine, comecem JÁ (sim, tem na Netflix).

Gilmore Girls: A Year In The Life (2016), Netflix

Por Yuu

Antes mesmo de 2016 começar, já sabíamos que o ano seria marcado pelo lançamento do tão esperado revival de Gilmore Girls anunciado no fim do ano passado. Com um formato diferenciado — quatro filmes de 90 minutos —  a minissérie, busca retratar a vida atual das garotas Gilmore e nos mostrar seus dilemas nove anos depois da despedida da série original. Inicialmente considerada um presente para os fãs que esperam há anos pelo final oficial — e as quatro últimas palavras — de Amy Sherman-Palladino, Gilmore Girls: A Year in the Life mostrou que veio para fomentar mais discussões sobre as personagens e seus rumos sem necessariamente encerrá-la — o que poderia ter sido previsto, considerando que Gilmore Girls sempre foi uma série sobre pessoas e relações humanas, as quais não têm um final definido enquanto elas existirem.

Essencialmente focados nos dilemas de Lorelai (Lauren Graham), Rory (Alexis e Bledel) e Emily (Kelly Bishop), a série levanta reflexões sobre questões pessoais das personagens em diferentes fases da vida. Lorelai, no auge da meia-idade, se preocupa com a estabilidade da sua vida, do seu relacionamento com Luke (Scott Patterson) e com o futuro da sua pousada. Rory, aos 32 anos, está desorientada em relação ao seu futuro profissional após anos de boa educação, ao mesmo tempo em que a sua vida amorosa está distorcida em vários níveis. E Emily, por sua vez, precisa se reencontrar após o falecimento de Richard (Edward Herrmann). Ao mesmo tempo em que a atmosfera do revival é distinta daquela da série original, ainda percebemos a presença de todas as marcas que definem Gilmore Girls. Apesar do estranhamento causada pelo salto temporal, o Gilmore Girls: A Year in the Life cumpre bem seu papel ao nos fazer refletir sobre a evolução e descoberta pessoais, os desvios que acontecem na vida, e que as crises que temos no meio do caminho podem ser reversíveis. Nem sempre nossos objetivos saem conforme o planejado, mas isso não significa que o resultado seja ruim. Gilmore Girls voltou para nos mostrar que a vida é cíclica, porém, com suas devidas particularidades. Resta saber se poderemos acompanhar a próxima fase das vidas das garotas.

Para saber mais: Especial Gilmore Girls

Penny Dreadful (2014-2016), Showtime

Por Jé Mazzola

Em 2016, tivemos a series finale de Penny Dreadful, seriado produzido pela Showtime que apresentava um crossover de lendas vitorianas dos contos de terror publicados em papel simples e que custavam centavos nas ruas de Londres nos anos 1800. Eu fui uma pessoa que sofri muito com o cancelamento da série, já que era super fã, mas confesso que a forma como ela foi finalizada nos encheu o coração de razões para continuar perpetuando a mensagem de que Vanessa Ives (Eva Green) é um ser iluminado.

Uma mulher que passou por inúmeros traumas, que encontrou o lado negro da vida, que passou anos em um manicômio, tudo isso porque ela era diferente das outras mulheres da época. Foi acusada de bruxaria, de ser filha do demônio e até Drácula a quis como esposa, e por que isso? Porque Vanessa era uma mulher que não queria esconder o que pensava, que batalhava pelo que achava certo e porque não seguia os padrões da sociedade. Seu final foi trágico e muito representativo — já que ou ela seguia o que mandavam ou era atormentada por quem não acreditava no seu potencial. Vida longa à Vanessa Ives, e que todas também possamos mostrar ao mundo quem somos de verdade!

Para saber mais: Penny Dreadful e os terrores da Londres vitoriana e Verbis Diablo: os melhores episódios de Penny Dreadful.

Stranger Things (2016-), Netflix

Por Fernanda

Stranger Things foi simplesmente o mair hype do ano em questão de televisão. Parece que a Netflix muito pouco anunciou a série, e de repente não só ela estava no serviço como toda a sua timeline — fosse do a Facebook ou a do Twitter – estava obcecada por ela, pelas incontáveis referências aos já clássicos filmes dos anos 70 e 80, as teorias sobre o Mundo Invertido e, é claro, pela Barb. Se a série pega mesmo pela nostalgia, como muito se afirmou por aí, isso tem pouco a ver com a nostalgia por uma década específica — que muitos de nós nem vivemos –, e sim com a própria infância. A série deu sorte de encontrar um elenco infantil tão talentoso e carismático (com destaque para a a adorável – e ótima – Millie Bobby Brown) e o resto era fácil: se o ano de 2016 foi particularmente difícil para o mundo, tinha algo de profundamente reconfortante naquelas crianças jogando Dungeons & Dragons, andando de bicicleta à vontade por aí e falando por walkie-talkies.

Mas não só de nostalgia vive a série: seu maior feito talvez seja unir três tramas tão bem: uma de conspiração, a cara de uma série ambientada em plena Guerra Fria; uma de caçadores de monstros, como num típico filme de terror oitentista; e uma de aventura, com o estabelecimento de uma rede forte de amizade. Com cada núcleo coletando as próprias informações e agindo independentemente, é muito difícil resistir ao desenrolar da trama conforme nos perguntamos quando é que essas pessoas vão conversar umas com as outras e juntar os pedaços do quebra-cabeça. Some-se a isso bons personagens, uma trilha sonora sensacional e a trama altamente serializada e está feita a receita da maratona. Agora, como acontece com tudo que desperta um hype muito grande, resta saber se o que vem por aí vai conseguir mantê-lo vivo.

Para saber mais: Stranger Things e outras nem tanto

Supergirl (2015-), CW

Por Sofia

A primeira temporada de Supergirl, que acabou em abril de 2016, era promissora: uma série de super-heróis alegre, sincera e com uma protagonista ao mesmo tempo adorável e poderosa. Mas foi a segunda temporada, que começou em outubro, agora no canal CW, que tornou Supergirl minha série favorita do ano: livre de alguns dos problemas da primeira temporada (dentre eles um triângulo amoroso sem graça que limitava a narrativa da protagonista e um estilo de diálogos às vezes fraco e exagerado), a série foi capaz de cumprir seu potencial.

Até agora na temporada, Kara (Melissa Benoist), a Supergirl, está se encontrando como pessoa e heroína, e sua irmã, Alex (Chyler Leigh), protagonizou um dos romances mais deliciosos de assistir em 2016: em um ano em que uma quantidade sem precedentes de personagens mulheres lésbicas e bissexuais morreram na televisão, Alex se apaixonou por Maggie (Floriana Lima) e eu chorei litros — não de dor e sofrimento, mas de carinho e felicidade por essas personagens fictícias. Agora só falta a CW realizar meu desejo de Natal e consumar o ship Kara e Lena Luthor (Katie McGrath). Fica a dica.

Para saber mais: Supergirl – Quando uma garota salva o dia 

The Crown (2016-), Netflix

Por Thay

Sou muito suspeita para falar sobre The Crown, produção original da Netflix lançada esse ano, porque sou totalmente apaixonada por dramas que falam sobre realeza e nobreza britânica — principalmente quando é focado na figura de uma mulher, como é o caso da Rainha Elizabeth, interpretada por Claire Foy, que subiu ao trono após a morte de seu pai, o Rei George VI (Jared Harris). Inexperiente, insegura e muito jovem, a Rainha ascendeu ao trono com apenas 25 anos de idade e precisa aprender a navegar entre as intrigas da corte e a lidar com os egos e os melindres de seus ministros, homens muito mais velhos do que ela e que, por vezes, a tratam de maneira condescendente.

A série retrata muito da dinâmica entre a Coroa e o Estado, enfatizando diversas vezes a importância de ambos e como esses dois poderes devem coexistir na melhor harmonia possível. Dessa forma, acompanhamos não somente a evolução de Elizabeth enquanto monarca, mas também as jogadas políticas de Winston Churchill, interpretado maravilhosamente por John Lithgow. Repleta de momentos históricos — como não poderia deixar de ser –, a série às vezes passa para o lado romantizado da força em determinados momentos, mas nada que atrapalhe a imersão do telespectador. A primeira temporada de The Crown retrata com maestria a década inicial de Elizabeth com a coroa e como a jovem Rainha evoluiu em diversos tópicos, seja em seu casamento com o inconformado e mimado Príncipe Philip (Matt Smith), seja lidando com o romance entre sua irmã, Princesa Margaret (Vanessa Kirby), e o Capitão Peter Townsend (Ben Miles), antigo cavalariço do Rei George VI, ou manobrando com destreza seus ministros. Sustentar a Coroa é, muitas vezes, um fardo, porém um fardo que, ao longo da série, Elizabeth aprende a carregar com habilidade e sabedoria.

Para saber mais: The Crown e a solitária Rainha Elizabeth

The Fosters (2013-), ABC Family

Por Júlia Medina

Se eu pudesse definir meus gostos por obras literárias/cinematográficas/televisivas em duas palavras elas seriam: drama familiar. Amo uma boa história de família. The Fosters é uma série sobre família. Mas é uma família que não estamos acostumadas em ver representada pela cultura pop, muito menos na dos Estados Unidos. Se representatividade é uma coisa que falta nas produções, The Fosters é uma chuva de diversidade! Lena (Sherri Saum) e Stef (Teri Polosão casadas e têm três filhos adolescentes: Brandon (David Lambert), filho de Stef com seu ex-marido, e Jesus (Jake T. Austin) e Mariana (Cierra Ramirez), gêmeos que foram adotados quando tinham seis anos.

A série começa quando as duas mães decidem abrigar outros dois irmãos órfãos: Callie (Maia Mitchelle Jude (Hayden Byerly). Callie estava presa no Juveniall Hall, ou Juvie (instituição para menores infratores, como a Febem brasileira) por defender Jude do pai adotivo abusivo. Com o tempo, as mães decidem adotar para valer Callie e Jude, mas os dramas não param por aí; tem romances entre irmãos adotivos, tem meninos se descobrindo gays, tem negros falando de racismo, tem latinos falando de pertencimento e identidade cultural, tem transgêneros falando de transfobia, tem um casal de mulheres lésbicas como protagonistas que, ao contrário das mães fictícias de séries adolescentes por aí, fazem sempre as coisas certas. The Fosters é quase como um suspiro de alívio para a televisão, e é ainda produzida por ninguém menos que Jennifer Lopez! A série começou em 2013 e atualmente está na 4ª temporada, mas as duas primeiras já estão na Netflix.

This Is Us (2016-), NBC

Por Thay

Imagine uma série que é quase como um abraço. Imagine uma série que trata dos dramas das vidas das pessoas mais diferentes possíveis, mas sem ficar piegas. Imagine uma série que reúna Milo Ventimiglia e Mandy Moore como o casal mais apaixonado que você já viu e que, pasmem!, se tornam pais de três bebês. Imaginou? Pois esse é só o começo de This Is Us, o aclamado drama da NBC que estreou esse ano durante a fall season e arrebatou corações por todos os cantos.

Falar apenas isso sobre This Is Us é ficar somente na superfície do que é a série. A família de Jack (Ventimiglia) e Rebecca (Moore) é o ponto de partida de uma trama intensa e sensível sobre relacionamentos entre irmãos, entre pais e filhos, entre maridos e esposas. Pode parecer apenas mais uma série dramática sobre relacionamentos e vida, mas a sensibilidade com a qual This Is Us trata diversos temas a faz sobressair, seja quando acompanhamos a história de Randal (Sterling K. Brown), adotado ainda bebê por Jack e Rebecca, e sua busca pelo pai biológico; a luta contra a balança de Katie (Chrissy Metz) ou a vontade que Kevin (Justin Hartleysente de se encontrar enquanto ator. Todas as tramas são amarradas e belamente trabalhadas com flashbacks, mostrando situações do passado dos personagens que contribuem com suas ações — e motivações — no presente. This Is Us é um belo relato sobre como as relações humanas, principalmente as familiares, são responsáveis por nos moldar para a vida inteira.

Victoria (2016-), ITV

Por Ana Luíza

Imaginem que, após o falecimento do seu tio, você se torne rainha da Inglaterra. O ano é 1837 e você é apenas uma mulher de 18 anos em uma sociedade tão mais retrógrada que a nossa. Não é a tarefa mais difícil do mundo imaginar que esse não será um trabalho fácil e que seu caminho dali em diante reservará muitos desafios. Pois é exatamente nesse contexto que conhecemos Alexandrina Victoria, ou Rainha Victoria, protagonista da nova série da ITV.

Com Jenna Coleman no papel principal, a temporada de estreia da série acompanha os primeiros anos do reinado da Rainha Victoria, bem como os obstáculos que ela precisa enfrentar não apenas para se manter no poder, mas para provar que o fato de ser mulher não a torna menos merecedora do posto a que tem total direito. A partir daí, somos apresentadas a uma personagem completa e complexa, que possui falhas e inseguranças, mas que nem por isso deixa de cumprir seu papel como soberana, nem se deixa levar pelos conselhos daqueles que a enxergam como uma jovem inexperiente que pode colocar toda a situação do reino a perder. Victoria é uma mulher forte, que busca seus objetivos com uma determinação invejável e que possui uma coragem inigualável, mas que ao mesmo tempo sabe ser generosa com aqueles que merecem e que mostra uma humildade ímpar, em especial diante dos erros que comete pelo caminho. Pra quem gosta de tramas de época, em especial sobre a monarquia britânica, fica aí uma dica de série incrível — e, infelizmente, curtinha.

Para saber mais: Victoria, every inch a queen

Westworld (2016-), HBO

Por Ana Luíza

Antes de se tornar série, Westworld era um filme de 1973. A ideia de Lisa Joy e Jonathan Nolan em transformar a história do parque Westworld em série parecia o tipo de coisa que poderia dar muito certo ou incrivelmente errado. Embora demore um bocado para engrenar e conseguir fazer algum sentido, a série não se limita em entregar uma narrativa fácil, mas algo que brinca com noções de tempo e espaço. Se Westworld é um jogo do início ao fim, a sensação ao assistir a série é exatamente a de fazer parte de um instigante jogo e de desvendar junto com seus personagens todos os segredos escondidos entre os limites do parque.

São as personagens femininas, no entanto, as responsáveis por fazerem tudo acontecer. Em uma série aparentemente tão masculina, são as mulheres que estão no centro de tudo e que fazem a história correr ao mesmo tempo que contam as suas próprias narrativas individuais e desconstroem arquétipos tão clichês, em especial quando falamos em personagens femininas. São mulheres ambíguas, determinadas e com uma força inegável. Embora os problemas existam e não devam ser ignorados, é realmente um alívio perceber que, finalmente, mulheres estão conseguindo desempenhar papéis fundamentais dentro de um gênero ainda tão frequentemente associado ao público masculino. Como diz Maeve (Thandie Newton), em determinado episódio: “it’s time to write my own bad wording story”. É a hora de escrevermos as nossas também.

Para saber mais: Westworld e a complexidade da existência humana 

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1 Comentário

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    Mary
    19 de dezembro de 2016 at 18:56

    E como faz pra dar conta de tudo isso?!
    Pra moça que gosta de dramas familiares: já viu Parenthood? Tem a Lorelai (atriz) e vários atores que fizeram uma ponta no especial de GG.
    Reparei com o texto de vocês que é meio comum descrever uma personagem como “mulher forte”, mas raro falar “homem forte”. Sei que existem muitas personagens femininas sem sal ou apenas sofredoras (sem a parte lutadora), mas com os homens não é assim também? Em comparação com os personagens masculinos, fica parecendo que a força destes não é citada por ser óbvia ou pressuposta, enquanto “personagem feminina” pressupõe fraqueza e sua força, portanto, tem que ser citada. Acho que esse tipo de descrição acaba refletindo e reproduzindo, implicitamente, uma visão que queremos combater (de que mulher forteé exceção), e talvez fosse melhor usar outras palavras (por exemplo, “fulana não desiste”, “fulana tem objetivos claros e não mede esforços”…).

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