LITERATURA

J.K. Rowling e meu muito obrigada

Joanne Kathleen Rowling, ou simplesmente J.K. Rowling, é aquele tipo de pessoa que a gente ama mesmo sem conhecer pessoalmente, sem nunca ter sentado para tomar uma xícara de chá e jogar alguma conversa fora (bem que eu gostaria). Jo é aquele tipo de pessoa que a gente ama simplesmente por ter nos deixado entrar em seu mundo por meio de seus livros, por ter nos presenteado com a magia de suas tramas e mensagens de suas histórias.

Como uma pessoa que gosta de ler desde sempre e que teve a vida tocada pelos escritos de Jo, é até difícil parar para pensar e falar alguma coisa sobre ela sem soar extremamente dramática e emotiva. É inegável a transformação que toda a série Harry Potter aplicou em minha vida, desde o amor por livros, que aumentou exponencialmente, aos amigos que fiz por conta da série e os momentos de diversão em pré-estreias à meia-noite. Quem um dia imaginaria que uma série de livros sobre um menino que sobreviveu teria tamanho poder? Já diria Minerva McGonagall no primeiro capítulo de Harry Potter e a Pedra Filosofal:

Ele vai ser famoso, uma lenda. Eu não me surpreenderia se o dia de hoje ficasse conhecido no futuro como dia de Harry Potter. Vão escrever livros sobre Harry. Todas as crianças no nosso mundo vão conhecer o nome dele!

E, como sabemos muito bem, a profecia da então professora de Transfiguração da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts não somente se realizou como extrapolou as páginas dos livros e chegou ao mundo todo. Harry Potter não somente se tornou um símbolo dentro nos livros que narravam sua vida mas também tornou-se conhecido ao redor do mundo, não apenas no mundo bruxo mas no nosso mundinho trouxa aqui de fora.

E nada disso seria possível se não fosse por Jo.

Nascida em 31 de julho de 1965 em Yate, nos arredores de Bristol, na Inglaterra, Jo sabia desde cedo que queria ser escritora. A história de como criou sua primeira trama ao seis anos de idade, o conto a respeito de um coelho chamado Coelho, é conhecida por todos os seus fãs. Suas influência literárias vão de Elizabeth Goudge, autora de O Cavalinho Branco, a C.S. Lewis, autor de As Crônicas de Nárnia, mas sem nunca deixar de buscar inspiração nos diversos aspectos de sua própria vida, desde inspirar a personagem Hermione Granger em si mesma enquanto mandona e estudiosa, a pegar emprestado o modelo de carro de um de seus amigos, o Ford Anglia azul, para ser o veículo voador da família Weasley.

Porém, antes de chegar no momento da vida em que se tornaria conhecida mundialmente pelo sucesso de seus escritos, J.K. Rowling passou por momentos difíceis. Após a morte da mãe, Anne, aos 45 anos de idade vítima de esclerose múltipla, Jo decidiu que precisava de um tempo longe do lar e se muda para Portugal onde começa a dar aulas de inglês em um instituto de línguas. No país ela dá continuidade aos manuscritos de Harry Potter, iniciados em 1990 quando a faísca da ideia se acendeu em um viagem de trem para Manchester; se casa e tem sua primeira filha, Jessica, para logo romper o casamento. Divorciada, com uma filha pequena para criar e sem dinheiro, Jo chegou a ser diagnosticada com depressão e sobreviveu por um tempo com benefícios que recebia do governo.

Mesmo assim, ela não cedeu e não deixou de lutar.

Muito daquilo que aconteceu a ela, descrito pela autora como um dos períodos mais sombrios de sua vida, refletiu em suas histórias. Assim como a vida de Harry não foi fácil, vivendo como um estorvo e morando no armário sob a escada da família Dursley durante onze anos, sua vida, assim como a de Jo, foi salva pela magia. Magia que a fez continuar escrevendo quando tudo parecia errado, magia que a fez resistir e lutar por aquilo que acreditava. Rowling fez o que podia com o talento de que dispunha, e será sempre lembrada por isso que é, inclusive, a maneira como já disse querer ser lembrada.

I would like to be remembered as someone who did the best she could with the talent she had.

Hoje, dia 1º de setembro, é dia de retornar para Hogwarts, aquele lugar que sempre estará lá para nos dar boas vindas e também dia de deixar um singelo agradecimento àquela que, com magia, foi capaz de transformar não somente a sua vida, mas a vida de milhares de jovens ao redor do mundo que não possuíam nenhuma familiaridade com a literatura. Com o talento de que dispunha, Jo nos fez criar memórias e laços que, até então, não imaginávamos ser possíveis. Claro que outras séries literárias e de filmes reuniram multidões, estão aí Star Wars e O Senhor dos Anéis que não me deixam mentir, mas Harry Potter possui um lugar todo especial no coração daqueles que leram os livros, que esperaram ansiosos por cada um dos lançamentos, que bolaram teorias, escreveram fanfics.

Amizades nasceram por meio de seus livros, fãs descobriram que também poderiam contar suas próprias histórias. Meninas tiveram uma galeria maravilhosa de personagens femininas nas quais se inspirar e entenderam que não há o menor problema em ser inteligente e mandona. O que, a princípio, parecia o fundo do poço e um caminho sem volta, foi apenas uma etapa a ser vencida por uma escritora talentosa e criativa, uma mulher forte e competente que soube se reerguer e reinventar quando dezenas de editoras davam as costas ao seu primeiro livro.

J.K. Rowling é uma inspiração para mim por essas e tantas outras coisas. Acreditando no seu talento, mesmo contra todas as probabilidades e dificuldades, conseguiu não somente publicar seu tão sonhado livro mas também entrar para a história como a primeira escritora a ficar bilionária. Mas ela não permaneceu bilionária por muito tempo visto que suas doações para caridade a fizeram sair desse clubinho – causa mais nobre não há. As pedras no caminho estão aí, na vida de todos, mas histórias como as de Jo nos fazem acreditar que tudo é possível se acreditarmos em magia.

Obrigada, Joanne Kathleen Rowling, por ter feito de sua vida a inspiração de muitos.

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2 Comentários

  • Responda
    Bruna Almeida
    4 de setembro de 2016 at 20:32

    Texto maravilhoso! Fiquei até um pouco emocionada ao lembrar da minha história que é um pouco recente, mas já desperta em mim sentimentos e lembranças encantadoras.
    Agora, desculpa se eu estiver errada e tudo mais, porém eu acho que Kathleen é o nome da avó dela que ela usou só o K, porque a editora tinha pedido para não saberem que quem escrevia HP era uma mulher (vê se pode..). Enfim, como eu disse, minha história com a JK é curtinha, então posso estar falando algo errado.
    Desculpa se ficar incomodada com o comentário, mas eu adoro o site e realmente gostei do texto, ok?

    • Responda
      Thay
      4 de setembro de 2016 at 21:33

      Pois é, é essa mesma a história do ‘Kathleen’! Jo adicionou como uma maneira de homenagear a avó e também para “camuflar”, por meio das iniciais, o fato de que era uma mulher a autora da série. É cada uma, né? E não fiquei incomodada de maneira alguma com o comentário, fico feliz em saber que tenha gostado do texto e se emocionado com ele! ♥

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