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Elena Fisher: Não um Tipo de Redenção

Originalmente previsto para 2015, Uncharted 4: A Thief’s End chega no mundão gamer no próximo dia 10, depois de alguns consideráveis adiamentos.

Com a promessa de um jogo mais emocional e menos linear – sua área explorável será dez vezes maior que a de seus antecessores –, mas sem deixar de lado o clássico estilo de Nathan Drake, Uncharted 4 é provavelmente o último jogo da série, ou, ao menos, o último em que veremos Nathan Drake como ele é (vivo? ladrão?); ou, ainda, o último produzido pela Naughty Dog.

Três anos após os acontecimentos do terceiro jogo, em A Thief’s End o protagonista deixa o conforto de sua aposentadoria (e vida de marido!!!) (Elena e Drake casaram!!!) para ajudar o irmão, Sam, dado como morto até então. Os dois partem em busca de uma colônia pirata perdida, Libertalia, que esconde um tesouro perdido (spoiler alert: it’s a trap, Drake, todo mundo sabe disso).

De acordo com os trailers e imagens promocionais liberados até então, estabeleceu-se que o tom de Uncharted 4 é muito mais sombrio que seus três irmãos mais novos. Isto, combinado ao nome do jogo e às diversas entrevistas dadas pela Naughty Dog (que produzem a série), deu abertura para as mais variadas indagações e uma óbvia afirmativa: um fim está próximo, a gente só não tem certeza do quê.

Por óbvio, embora falte com a certeza, o que não faltou foi espaço para os fãs criarem teorias mirabolantes sobre o que vai acontecer – a maior das vertentes envolve a morte de algum personagem – e com quem vai acontecer – Sully, Sam, Elena ou o próprio Drake? Sabe-se que o protagonista terá dificuldade em voltar para a vida real, mas não se sabe se é porque ele, depois de muito se pendurar por aí, escorregou em uma pedra e foi parar nos confins do mundo, ou se algo muito impactante refletiu no seu estilo de vida.

São dilemas que estão dando o que falar, que talvez não estejam tirando o sono de ninguém, mas que tem deixando os fãs numa pilha de nervos. E olha, no fundo, uma parte de mim acha que vai dar ruim pro próprio Drake, ou até mesmo pro irmão dele – aposto duas Coca-Colas que criaremos uma conexão emocional ferrenha com o novo personagem. Mas há também uma pulga atrás da orelha, e não só minha, de que a corda vai estourar pro lado mais fraco, e isso envolve Elena Fisher.

Mas por quê? Quem é Elena Fisher?

Elena Fisher é a jornalista cute and badass que cruzou o caminho de Drake em suas aventuras anteriores. Enquanto o moço fazia muito esforço para matar ladrões e bichos estranhos, Elena Fisher manteve-se viva – embora às vezes um  pouco menos do que outras.

Durante a jornada, a moça loira que nunca deixou de bater de frente com o protagonista, não foi colocada em posição de donzela em perigo, apesar de ocasionalmente estar de fato em perigo. Elena ajudou Nathan de igual pra igual, seja dirigindo carros ou sendo companheira de aventuras em jet skis, e cuidou dele com carinho quando ele precisou de um rabo de saia. E sabe, eles são bem fofos juntos.

Elena é o interesse romântico de Drake desde os primórdios. Não foi a única, mas com certeza ganha na relevância. Ainda assim, a jornalista não é isso, nunca foi resumida a ser somente isso, e não deveria servir de artefato de redenção aqui e agora, na reta final da história.

Os dois ficam juntos após o terceiro game, e em trailers de A Thief’s End podemos ver Eleninha deveras decepcionada com as mais recentes decisões de Drake – que aparentemente mentiu pra ela e voltou a fazer o que sempre fez.

Certas pessoas acreditam que a morte de algum personagem culminará na escolha de Drake em deixar de ser o que é – e, consequentemente, o fim do Nathan Drake como a gente conhece. É uma história clichê que a gente vê bastante, do herói ou anti-herói perdendo alguém importante e mudando completamente o jeito que leva a vida.

Matar Elena seguiria esse caminho e seria uma opção que serviria de redenção, visto que o jogador acompanhou toda a história dos dois durante os quase 10 anos da franquia. Elena é alguém por quem Drake se importa, e se importa o suficiente a ponto de prometer e até manter por alguns anos sua promessa de cair fora da vida de ladrão bonzinho.

No entanto, essa é a saída fácil e nós não precisamos disso. Não de novo, repetindo a dose já frequentemente usada em outras áreas do entretenimento.

A morte pode ser, entre pinceladas, bem trabalhada. É a única certeza que temos na vida, afinal de contas. Contudo, penso que já é tempo do pessoal que produz entretenimento parar de insistir na mesma tecla e perceber que já deu de mulher morrer nas telonas (e telinhas) só para servir de muletas para o desenvolvimento de personagens masculinos que precisam se colocar no seu devido lugar  (respira). A gente não precisa de mais mulher morrendo just because. E sejamos sinceros: o mundo não pode ser privado de bebês Fisher-Drake (imagina o filho de Drake vingando a morte DE ALGUÉM – não Elena – no futuro? Procurando e finalmente encontrando um tesouro que Nate nunca conseguiu encontrar? Uma garota pode sonhar, né não?).

As questões não são poucas, e os ávidos fãs esperam ansiosos por respostas que finalmente (!) virão à tona na próxima terça-feira (10) com o lançamento do jogo. Até lá, então, o que nos resta a fazer é esperar que Elena Fisher não seja a redenção de Nathan Drake.

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2 Comentários

  • Responda
    yasnaya
    5 de Maio de 2016 at 10:22

    Mas olha eu fiquei lendo e imaginando um filme.
    Não sabia que os jogos eram tão produzidos assim, quer dizer, ouço por aí, mas nunca parei pra ler uma resenha ou um textão assim comentando.
    Não tenho paciência pra games, mas me interessei bastante!!!!!!
    Acho que quero hahaha

    • Responda
      Ana Vieira
      5 de Maio de 2016 at 12:52

      Então, guria. Eles são! Eu fiquei sem jogar por muitos anos e só voltei ano passado. Joguei os três Uncharteds, um atrás do outro, e fiquei loka. É muito divertido. Super apoio dar uma chance.
      Beijo!

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