CINEMA

Crítica: O Mínimo para Viver

Anorexia-histérica, “uma condição feminina”, foi o nome dado pelo médico inglês William Gull, em 1873, ao estado de perda de apetite sem causas gástricas diagnosticadas. Mais tarde, o distúrbio recebeu o nome de anorexia-nervosa e, após a publicação de um artigo pelo mesmo médico, em 1888, algumas centenas de outros especialistas averiguaram que os sintomas – que incluem, ainda, a distorção da imagem corporal, o medo de adquirir peso e a negação da própria condição patológica – se aplicariam não apenas a mulheres, mas também a pacientes do sexo masculino. A anorexia passou a fazer a parte do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais desde sua primeira publicação, em 1952. A bulimia, por sua vez, tem seus primeiros registros datados a partir de 1903, mas só em 1979 foi classificada como uma desordem – à época, correlacionada com a anorexia –, sendo só a partir de 1987 tratada como um distúrbio singular.

Em 1970, quando a anorexia foi levada aos holofotes devido aos diversos estudos acerca do assunto, o número de diagnósticos cresceu consideravelmente e, a partir de então, transtornos alimentares começaram a ser retratados em filmes e séries da época. Produções para TV como The Best Little Girl in The World (1981), The Karen Carpenter Story (1989) e For the Love of Nancy (1994) tentavam, de alguma maneira, trazer para dentro da cultura a história de, nesses casos específicos, mulheres que sofriam com desordens alimentares como anorexia e bulimia, confrontando a sociedade sobre doenças que ganhavam cada vez mais espaço, principalmente entre adolescentes e jovens adultos, embora muitas vezes se desenvolvesse de forma silenciosa.

Mas essas ainda são histórias que normalmente aparecem como assunto paralelo em grandes filmes – Heathers (1988), Garota, Interrompida (1999) – ou resumidos a pequenas produções exclusivas para a televisão. Foi por este motivo que Marti Noxon, escritora e produtora de séries como Buffy, A Caça-Vampiros, UnREAL e Gilfriends’ Guide to Divorce, decidiu produzir um filme inspirado em sua própria batalha contra a anorexia; uma ideia que, no entanto, não foi comprada tão facilmente. Para Marti, “executivos – homens – de grandes estúdios consideram filmes sobre anorexia filmes que ninguém quer ver”, uma declaração que diz muito sobre a forma como a indústria cinematográfica se esquiva de temáticas densas, especialmente quando essas não são tão facilmente romantizáveis na ficção, como é o caso da anorexia; uma “ferida que você mostra ao mundo” e que não há como ser escondida, nas palavras da própria diretora. À época, Noxon ouvira de um produtor que a anorexia não passava de “um assunto pequeno”, uma declaração ao qual reage com vigor: jogue uma pedra no seu escritório e você atingirá uma mulher que está se machucando de um jeito ou de outro. Marti, contudo, não alavancou sua carreira como “anoréxica profissional”, quando, na produção do já citado The Best Little Girl in The World, não foi escolhida – por pouco – para ser dublê de corpo da personagem interpretada por Jennifer Jason Leigh, mas se tornou a mente responsável por trás de grandes séries e, agora, pelo mais novo filme da Netflix, O Mínimo Para Viver (em inglês, To The Bone), que estreou no último dia 14, e ganhou vida após a união de forças de um time de mulheres e produtoras.

Estrelado por Lily Collins e Keanu Reeves, o filme acompanha a história de Ellen (Collins), uma artista de vinte anos diagnosticada com anorexia nervosa que, após diversas internações e tratamentos frustrados, conhece, por intermédio de sua madrasta (Carrie Preston), o médico Dr. William Beckham (Reeves), famoso pelo seu método pouco ortodoxo de encarar – e tratar – doenças como a de Ellen. Após convencer-se de que o tratamento (à base de terapia e mudanças de alimentação, deveras inovador) é sua melhor – e talvez única – opção, Ellen passa a frequentar a clínica de Beckham; um lugar adoravelmente diferente, mais confortável e com ares de lar, onde ela divide o teto com outros seis pacientes – Luke (Alex Sharp), Megan (Leslie Bibb), Pearl (Maya Eshet), Kendra (Lindsey McDowell), Tracy (Ciara Bravo) e Anna (Kathryn Prescott) – dos quais, efetivamente, conhecemos muito pouco. Não sabe-se de onde a maioria deles vêm, muito menos para onde vão, e seus transtornos – que não são sempre os mesmos, muito menos encarados da mesma forma – ganham pouco ou nenhum espaço em meio aos conflitos da protagonista; que são muitos e são importantes, é verdade, mas que não anulam as narrativas que se desenvolvem em paralelo.

Desde sua concepção, O Mínimo Para Viver tem sido tratado como o filme sobre transtornos alimentares que finalmente dará início a uma conversa sobre um problema que, nas palavras da própria Noxon, “é frequentemente encoberto por segredos e equívocos”. Mas esse é um diálogo que termina antes mesmo de começar. O que conhecemos (ou deixamos de conhecer) sobre Luke, mas principalmente sobre Megan, Pearl, Kendra, Tracy e Anna parte de uma perspectiva bastante limitada, em via única, e quase sempre estereotipada. Ao mesmo tempo, a representação de pessoas que sofrem com distúrbios alimentares, em especial na televisão, não difere muito da representação trazida pelo filme: desde o início, somos apresentadas a garotas magras ou extremamente magras, mas convencionalmente bonitas e inegavelmente brancas, com acesso suficiente ao dinheiro, assim como eram Cassie Ainsworth (Hannah Murray), de Skins, Blair Waldorf (Leighton Meester), de Gossip Girl, e Marissa Cooper (Mischa Barton), de The O.C., ou até mesmo Emma Nelson (Miriam McDonald), de Degrassi: The Next Generation.

Ellen também se encaixa nesse padrão: ela é bonita, estilosa e, embora que sua magreza seja, de fato, assustadora, ainda é uma mulher branca e com ótimas condições financeiras numa sociedade em que o dinheiro e a cor da pele ainda são fatores determinantes quando falamos sobre privilégios e identidade. Da mesma forma, Noxon também fora uma garota privilegiada: nascida em Los Angeles, em meados da década de 1960, Marti é filha do documentarista Nicolas Noxon, um dos grandes nomes da National Geographic, e graduou-se na Universidade da Califórnia em 1987, tendo trabalhado com inúmeros profissionais da indústria audiovisual desde então. Ela é uma mulher branca, americana e rica, e fora o fato de ser mulher numa sociedade que ainda nos nega a posição de sujeito, jamais foi confrontada por quaisquer outras limitações; o que também reflete na história que busca contar. Ellen, sua protagonista, é uma artista e, conforme explica no filme, retrata em seus desenhos aquilo que conhece – suas experiências, seus medos e conflitos. Ao seu próprio modo, Marti faz exatamente o mesmo, emoldurando suas experiências de modo muito pessoal, mas que dificilmente extrapola as barreiras de sua bolha particular. Ainda é uma história essencialmente feminina, mas que dificilmente se tornaria universal.

Não há nada realmente errado em contar história sob uma perspectiva tão pessoal, exceto que essa ainda é uma abordagem bastante restrita, que ignora muitas das nuances que constroem um problema que não distingue classe, cor ou sexo. No filme, as únicas pessoas que não se enquadram nesse padrão são Kendra, uma mulher negra e gorda, diagnosticada com binge-eating; e Luke, um bailarino que após ter problemas no joelho, desenvolve anorexia-nervosa.

Atenção: o texto contém spoilers!

Diferente de outros pacientes, Luke encontra-se num estágio do tratamento em que o vislumbre de um futuro saudável e livre da anorexia parece uma realidade possível e não apenas um sonho distante: ele se alimenta sem grande resistência, adquire cada vez mais autonomia dentro e fora da clínica, e pouco a pouco volta a assumir as rédeas da própria vida – um processo ainda inédito para os personagens do filme. Luke deseja voltar a dançar e retomar sua carreira nos palcos; essa é sua grande motivação. Contudo, à medida que a narrativa avança, sua história assume contornos mais dramáticos, especialmente quando, após sofrer uma nova lesão no joelho, Luke é confrontado pela perspectiva de um futuro em que jamais será capaz de dançar novamente.

Noxon ousa moderadamente ao apresentar um personagem masculino que sofre com a doença, mas essa ainda é uma representação rasa e um papel que pouco adiciona à trama. Servindo mais como interesse romântico da protagonista do que qualquer outra coisa, Luke é um garoto jovem, instigador e empático, que desperta em Ellen um interesse até então pouco conhecido: o vislumbre de um romance. Contudo, sua aura despreocupada e inspiradora faz com que ele seja, erroneamente, creditado a ajudá-la em seu processo de recuperação. Os dois riem, declaram-se, saem para jantar e bebem cerveja, mas ainda são dois jovens em meio a um tratamento delicado, e não profissionais capazes de, efetivamente, dispensar ajuda. Quando Luke mima Ellen com seu chocolate favorito, numa tentativa de fazer com que a moça supere, de certo modo, a própria enfermidade (como se mastigar e engolir fosse o suficiente), Ellen reage de maneira indelicada, honesta e completamente compreensível, mas é pintada como insensível pela cena. Ironicamente, O Mínimo Para Viver cai, justamente, na representação vazia que tanto busca subverter. Ao mesmo tempo, o ar de romance jovial não combina com a realidade de quem sofre com a doença: quase 70% das mulheres diagnosticadas com anorexia sofrem com a queda de libido, fora a ansiedade em relação ao sexo, que aumenta quase 60%. Além disso, fatores psicológicos e efeitos colaterais provenientes da medicação reduzem consideravelmente as chances de se atingir um orgasmo.

Essa sucessão de fatos – menos romantizada; mais realista – não é de todo uma surpresa: diferente do que acredita o senso comum, as marcas da anorexia e outros transtornos de origem alimentar não somem de repente; talvez, uma recuperação plena e livre de sequelas nem sequer seja uma possibilidade. O Mínimo Para Viver se atenta a esse fato: o ganho de peso é apenas um obstáculo a ser superado; um obstáculo importante, é verdade, mas ainda um só, e outros aparecerão tão logo este seja ultrapassado. Há a consciência de que, entre a doença e a extinção da mesma, existem muito mais nuances do que acredita nossa vã filosofia; nada é tão simples quanto parece, não se trata somente de voltar a comer. Quase como numa relação de causa e efeito, enfermidades surgem em decorrência da anorexia, que passa a coexistir com o mal funcionamento de órgãos e a osteoporose, por exemplo.

É um convite a deixarmos nossos pré-conceitos de lado e desmistificarmos uma questão ainda tão permeada por lugares comuns e, como nas palavras da própria diretora, equívocos. Ao mesmo tempo, Noxon não se esquece que a anorexia não é uma doença exclusivamente feminina ao apresentar um personagem homem na mesma situação, mas não se esquiva das estatísticas, que comprovam que a realidade ainda é mais dura com mulheres. A cada 100 pessoas que sofrem com desordens alimentares, 85 são do sexo feminino. Além disso, 20% da população de mulheres sofre ou já sofreu com algum transtorno de origem alimentar, sendo a anorexia mais comum em jovens de 15 a 25 anos – uma realidade que, longe de ser natural, também não existe no vácuo. Em O Mito da Beleza, a escritora norte-americana Naomi Wolf confronta o culto à beleza feminina, que mesmo após décadas de conquistas e espaços forjados à base de muita luta, ainda nos aprisiona de forma brutal e nos impede de alcançar espaços de verdadeira igualdade política, econômica e social; o objetivo mais amplo do movimento feminista, afinal.

“A reação contemporânea é tão violenta, porque a ideologia da beleza é a última das antigas ideologias femininas que ainda tem o poder de controlar aquelas mulheres que a segunda onda do feminismo teria tornado relativamente incontroláveis. Ela se fortaleceu para assumir a função de coerção social que os mitos da maternidade, domesticidade, castidade e passividade não conseguem mais realizar. Ela procura neste instante destruir psicologicamente e às ocultas tudo de positivo que o feminismo proporcionou às mulheres material e publicamente.”

Embora não possuam o mesmo diagnóstico, todas as mulheres que dividem o teto com Ellen são muito, muito jovens, e partilham o mesmo cenário opressor; não muito diferente de Noxon ou da própria Lily Collins, que cresceram cercadas por esse ideal inalcançável de beleza. Ainda que possuam suas particularidades – algo que o filme, infelizmente, falha ao não explorar – e tracem jornadas muito distintas, todas as personagens são mulheres que nasceram e foram criadas em uma sociedade que lhes diz o tempo inteiro como devem ser ou agir. Mesmo de forma inconsciente, elas são influenciadas por esse discurso, que busca nada mais, nada menos, do que manter o poder institucional masculino que rege a sociedade ocidental. Susan, madrasta de Ellen, pede algumas vezes que ela fique/ seja perfeita, mas não tão perfeita. Ela não diz isso como alguém que espera que Ellen se encaixe em padrões irreais de perfeição: ela deseja apenas que a enteada fique bem e saudável novamente; porque a ama, porque famílias também sofrem profundamente ao longo do processo. Entretanto, sua fala carrega em si o peso de séculos de expectativas inalcançáveis, que molda a percepção que temos de nós mesmas e também umas das outras, o que gera um ciclo de não gentilezas e inevitável frustração.

Assim como muitas de nós, Ellen e outras pacientes da clínica – e sua mãe, e sua irmã, e suas madrastas, etc etc – são confinadas ao ideal dourado do patriarcado do que é ser mulher; um estereótipo que as desumaniza de forma cruel. Longe de serem perfeitas, essas mulheres esbarram em suas próprias expectativas e se culpam massivamente pelas suas escolhas, pelas suas não-escolhas, pela total (e natural) incapacidade de manter o controle sobre si mesmas e sobre os seus. De forma drástica, a anorexia é, também, uma resposta a essa falta de controle que nos é imposta em tempo integral: não temos o direito de sermos humanas, imperfeitas e… complexas. Além disso, um fator comum entre pacientes diagnosticadas com a doença é o histórico de assédio sexual e violências que originam-se a partir de uma estrutura social patriarcal. Quando questionada sobre o assunto, Ellen conta que não sofreu nenhuma violência além do comum – o fiu, fiu de todos os dias, uma cantada no meio da rua, uma passada de mão no transporte público –, o que nos leva, mais uma vez, a repensar o que significa ser mulher em um mundo que ainda nos limita a papéis reducionistas e unidimensionais; meros objetos de apreciação masculina.

Noxon não insere essas questões de modo a transformá-las no centro de sua narrativa, tampouco leva ao filme elementos que demonstrem ou procuram demonstrar o porquê do número de desordens alimentares serem tão elevado entre meninas e mulheres. Mais uma vez, não se trata de uma doença exclusivamente feminina, mas é de se pensar, averiguar e debater o motivo desses distúrbios atingirem tantas de nós – uma alternativa que se equilibra, perigosamente, no limiar entre a conscientização efetiva e a romantização que nos é tão cara. A armadilha não é, de modo algum, proposital, mas ainda transforma a vida de garotas anoréxicas em uma realidade romântica demais para o seu próprio bem. Existe algo de fascinante na rebeldia de Ellen, em suas roupas largas, em seus desenhos, no seu jeito blasé hollywoodiano, com imensos óculos na cara e um copo de chá gelado na mão, quase como se a doença e seu aspecto a tornassem… mais interessante. Ninguém se importa realmente com o que a levou até ali, com o fato de mal conseguir carregar as malas sozinha, por literalmente desmaiar no meio de uma caminhada e com a perspectiva da morte, sempre tão próxima, mas tratada com curioso distanciamento pela narrativa.

Ellen tem seu momento de iluminação depois de uma experiência de quase morte (ou, assim, ela acredita), e naquele momento em que esteve desmaiada, ela sonha com Luke, e sonha com uma vida diferente e bonita, e vislumbra o seu próprio corpo magro e doente jazer no chão. É o suficiente para que ela decida mudar de vida: Ellen volta para a clínica, dispensa a maquiagem carregada e passa a usar roupas claras e em tons pastéis, radicalmente diferentes do estilo grunge de outrora. Mas será mesmo o suficiente? Existe uma doença ali – e muita dor, e muitas mágoas e muitas questões mal resolvidas que podem ou não ter a ver com o transtorno de Ellen, mas que ainda são questões importantes e delicadas, que a perturbam em alguma medida. Será que um médico bonitão, discursos inspiradores, sonhos e roupas diferentes são mesmo suficientes para curar seu distúrbio?

O Mínimo para Viver não é de todo um filme ruim, mas não traz nada novo, profundo e interessante sobre um assunto que precisa, sim, ser discutido. Em um mundo onde a magreza é idealizada como um fim a ser alcançado, é um produto vendido em revistas, realities shows, Instagram feeds e como a única forma possível de ser saudável e feliz, falar sobre o assunto é necessário. Vivemos em uma sociedade onde comer é, comumente, associado com culpa, especialmente se você for mulher. Especialmente se você for mulher fora dos padrões e/ ou gorda. Filmes e histórias que tratam de distúrbios e doenças psicológicas/ mentais não são, nunca, sobre apenas uma pessoa: não há nada como um filme que conte apenas uma história. Pessoas podem e, não pouco comum, irão se identificar com realidades fictícias. É preciso ter a sensibilidade acerca de como isso as impactarão.

Crítica escrita em parceria por Ana C. Vieira e Ana Luiza

Posts Relacionados

4 Comentários

  • Responda
    Lidyanne Aquino
    30 de julho de 2017 at 16:00

    Excelente crítica, meninas! Vocês inclusive trouxeram informações muito precisas sobre o quanto os transtornos alimentares atingem as mulheres, coisa que o filme não faz. Imagino que seja MUITO sensível para uma garota que tem/já teve anorexia, mas tive sorte de não ter nenhum gatilho. Até metade do filme me parecia uma grande propaganda. Eles falam abertamente dos truques típicos das garotas para não comer ou esconder o vômito, etc, a própria Ellen parece super interessante apesar do corpo magro. Senti que ficou tudo muito raso, o filme não abriu espaço para discussão. Tive a sensação que estavam preocupados em explicar o processo difícil da protagonista com a enfermidade e, na hora de definir o desfecho, ficaram meio sem jeito e com medo da crítica acusar o filme de ser uma propaganda para transtornos e resolveram dar um final feliz que veio out of nowhere. Quando acabou fiquei com aquela cara de interrogação. Faltam filmes que tratem deste tema de um modo mais lúcido e coerente :/

    • Responda
      Ana Vieira
      31 de julho de 2017 at 22:24

      Oi, Lidy! Muito obrigada pelo comentário, ficamos felizes com esse retorno. Concordo muito contigo! Achei o filme tão raso. Ele não chega a ser exatamente ruim porque há um ar meio bubbly e muito esquisito ao redor dele. Não mostraram como o distúrbio pode e deveria realmente afetar a vida da Ellen, que é muito mais do que evitar comida e desenhar pro Tumblr. Eles poderiam ter arriscado mais, tratado de forma mais profunda o assunto, e no final tivemos isso aí. Fiquei decepcionada, e sei que vai levar um bom tempo até termos outro filme com a temática, o que é um desperdício tremendo. :~

  • Responda
    Gabi Machado
    31 de julho de 2017 at 20:05

    Maravilhosa crítica!

    Eu senti muita dificuldade em assistir esse filme porque o assunto mexeu comigo de uma maneira que não esperava. Todas as cenas em que a comida é tratada como algo ruim me deram uma espécie de aflição, uma angústia, e eu achei que nada disso foi tratado da forma como deveria no filme.
    Aliás, o filme parece mais o piloto-teste de uma série, como se os verdadeiros problemas e questões fossem ser tratados ao longo da temporada, caso o resultado desse começo seja satisfatório. Será?
    Seria bem melhor.
    Ah, e também não comprei muito o médico sábio ser encarnado pelo Reeves, como bem sabemos, o homem mais triste do mundo.

    • Responda
      Ana Luiza
      27 de setembro de 2017 at 20:19

      Oi, Gabi <3

      Concordo demais com os dois pontos. A relação dos personagens com a comida mexeu demais, demais comigo também, ao ponto de me fazer sentir mal, o que, acredito, não fosse a expectativa de quem fez o filme. A ideia era conscientizar a partir de uma representação verossímil o que era a anorexia, e como esse é um problema horrível - o que, de fato, é -, mas sinto que o efeito foi o contrário: fazer com que a gente se sinta culpado, em alguma medida, pela nossa relação com a comida. Ao mesmo tempo, também concordo que o filme funcionaria infinitamente melhor como o piloto de uma série. Mas paciência, né, tem outros troféu.

    Deixe um Comentário