LITERATURA

Chronos: Viajantes do Tempo

Primeiro volume da trilogia escrita por Rysa Walker, Chronos: Viajantes do Tempo, saltou para o Brasil pelas mãos da Darkside Books. Com uma trama que reúne viagem no tempo, ficção científica, relatos históricos e amor adolescente, Chronos é um daqueles livros que se tornam difíceis de largar pela maneira como cativa o leitor, nos deixando sempre curiosos e ansiosos para virar a próxima página.

Kate Pierce-Keller é a típica adolescente que leva uma vida tranquila entre idas à escola e aulas de karatê, além de saídas com sua melhor amiga Charlayne, enquanto reveza entre as casas de seus pais divorciados, Harry e Deborah. Não há nada de muito empolgante acontecendo na vida de Kate além de acompanhar os incontáveis crushs desenvolvidos por Charlayne em meninos muito bonitos, mas tudo o que ela conhecia como certo está prestes a mudar quando sua avó, Katherine, retorna após incontáveis anos distante da família.

Katherine e Deborah nunca tiveram um relacionamento muito amistoso, portanto Kate liga o sinal de alerta quando a avó, de volta à cidade, marca um almoço entre elas. Durante o almoço, mãe e filha descobrem que Katherine está com câncer e, com pouco tempo de vida, gostaria de compartilhar alguns momentos em companhia de sua neta, além de conhecê-la melhor. O que Kate e Deborah não sabiam, no entanto, é que o retorno de Katherine tem outro motivo além de sua doença terminal, e isso mudará a vida de Kate — e de todos os envolvidos — para sempre.

Acontece que Katherine não é apenas uma avó comum: portadora de uma Chave Chronos, além da genética correta, Katherine é capaz de viajar no tempo e foi parar em nosso mundo contemporâneo ao fugir de uma situação de vida ou morte. Nascida em 2282, Katherine trabalhava para a CHRONOS — sigla para Centro Histórico de Registro da Observação Natural e Organizacional da Sociedade — e fazia viagens ao passado como historiadora, estudando aspectos específicos de outras décadas, porém sem nunca alterar a linha do tempo. As coisas começam a sair de controle quando um dos historiadores, Saul, decide criar um novo futuro, mudando aspectos importantes do passado que viriam a refletir diretamente nas vidas de Katherine, Kate e Deborah. Dessa maneira, Katherine, presa em 1970, precisa reconstruir sua vida enquanto tenta descobrir como impedir mais mudanças na linha temporal. Os anos se passam, a situação não melhora, e Katherine busca a neta com uma missão em mente: fazer com que Kate coloque um fim no plano de Saul e deixe a linha do tempo em ordem novamente.

Para que isso aconteça, Kate precisará mergulhar em um universo em que viagens no tempo não são apenas possíveis mas parte intrínseca de sua herança genética, o que renderá um sem número de situações improváveis e nós na cabeça da adolescente que precisa assimilar toda sua nova realidade o mais rápido possível. De maneira a impedir que o mundo como conhece seja alterado, Kate precisa aprender como ativar a Chave Chronos e voltar ao passado para evitar o triunfo dos planos de Saul, além de assegurar que o presente permaneça intocado no processo.

Chronos: Viajantes do Tempo é um young adult dinâmico e com uma trama interessante, recheada de personagens fáceis de gostar, e com pitadas de ficção científica. Um ponto positivo na história, e que fica evidente logo de início, é a presença e força da família da protagonista, algo pouco visto em outros livros do mesmo gênero. Ainda que Kate seja a escolhida, como em tantos outros enredos, aqui ela precisa fazer o possível para preservar sua família — e a si mesma — de uma maneira muito mais palpável do que em outras histórias similares. Acompanhamos o desenvolvimento dos laços de confiança e afeto entre Katherine e Kate, e a avó é presença constante na trama, seja em qual momento da narrativa estivermos.

A viagem no tempo aparece muito mais como uma ferramenta de roteiro para mover a trama do que como ponto focal de Chronos, portanto não espere por descrições e explicações detalhadas sobre o funcionamento da chave ou da ciência que permite aos historiadores retrocederem no tempo. Algumas explicações são dadas, claro, mas não de maneira aprofundada, o que pode ser positivo — deixando margens para a livre interpretação do leitor — ou negativo — se você for daqueles que só aceita verdades incontestáveis no cânone do que estiver acompanhando. 

Particularmente, essa falta de detalhes e explicações não me incomoda. Ainda que Chronos: Viajantes do Tempo estipule algumas regras de conduta para os historiadores a serviço da CHRONOS e para as viagens no tempo em si, a trama de Rysa Walker não vai além no que se refere à ficção científica — o que pode aparecer como uma boa pedida para quem quer começar a explorar o gênero mas não sabe muito bem por onde começar. Em Chronos viajamos junto de Kate para a Exposição Universal de 1893, em Chicago, e esse é outro ponto muito interessante da história: ao mesclar fatos reais com outros totalmente imaginados, Rysa Walker constrói uma narrativa instigante, polvilhando acontecimento verídicos — como a própria exposição, a maior roda gigante do mundo à época e o serial killer H.H. Holmes — com sua versão dos fatos.

O resultado é um livro divertido que conta com uma protagonista determinada que não se deixará abater diante das dificuldades. Kate pode parecer um pouco insossa no início de Chronos: Viajantes do Tempo, mas o tempo será responsável por nos mostrar que a adolescente é feita de um material muito mais forte e inquebrável do que pensávamos de início. Embora Chronos tenha outras características — já um pouco batidas — dos young adults, que são o triângulo amoroso e o amor instantâneo entre personagens, isso não desabona o livro em quase nada. É fácil se deixar cativar pelo romance desenvolvido entre os personagens, e mesmo que Kate soe como uma mocinha indecisa em alguns momentos, a firmeza de sua ações será responsável por nos mostrar o amadurecimento da personagem.

Chronos: Viajantes do Tempo é uma boa pedida para aqueles que curtem viagens no tempo, pitadas históricas e personagens femininas bem escritas — de qualquer que seja a idade delas. Rysa Walker se sai muito com o primeiro livro da série, nos fazendo ansiar pela continuação da história assim que terminamos as pouco mais de 300 páginas que compõe o início da trilogia. Ainda que seja apenas o primeiro livro de uma série, a história contada em Chronos é concluída, deixando apenas algumas pontas soltas para serem trabalhadas nos volumes subsequentes. Ganhador do Amazon Breakthrough Novel Award de 2013, Chronos: Viajantes do Tempo é uma viagem empolgante pelo tempo e a força de sua protagonista.

Deixe apenas suas pegadas, carregue apenas suas lembranças.

O exemplar foi cedido para resenha por meio de parceria com a Editora DarkSide Books.


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3 Comentários

  • Responda
    Caio Borillo
    17 de Janeiro de 2018 at 12:09

    Ai, Thay, desculpa, mas a protagonista é uma idiota. E concordo com a resenha da Sybylla, a personagem perde a inteligência perto de um garoto bonito e isso acaba com o a história em alguns momentos. Isso desabona e muito o enredo. Eu terminei empurrando com a barriga porque a avó de Kate é quem segura o enredo.

    • Responda
      Thay
      17 de Janeiro de 2018 at 15:06

      Tá desculpado, Caio! =P
      Então, não acho Kate uma idiota e ainda não li a resenha da Sybylla, mas acho que a personagem tem sim sua força. Ela é uma adolescente, afinal de contas, e foi jogada no meio de uma trama de viagem no tempo de uma hora pra outra. E o mesmo que falei sobre a Sansa de GoT em um outro texto meu aqui no site, digo pra Kate: ela é uma menina adolescente e com dezesseis anos estamos liberadas a ter nossos crushes em meninos bonitos. E acredito que ela tenha amadurecido com o andar da narrativa, consegui vê-la determinada a solucionar o dilema das linhas do tempo, mesmo com o já batido triângulo amoroso no processo. Mas bem que eu queria mais da avó Katherine na trama, ela é ótima!

  • Responda
    Si
    22 de Janeiro de 2018 at 09:55

    Terminei o livro hoje e a Kate irrita em alguns momentos, entendo que é adolescente e tal, mas sério, às vezes tenho a impressão que ela está mais preocupada com sua vida amorosa do que com “arrumar a linha do tempo”.
    Enfim, tô revirando a internet pra saber quando sai o próximo volume kkkkk

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