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Crítica: Big Little Lies, uma história sobre mulheres

Para quem leu Pequenas Grandes Mentiras, romance da australiana Liane Moriarty lançado em 2014, a qualidade de Big Little Lies, minissérie da HBO baseada no romance, bem como sua boa acolhida pela crítica, não chega exatamente como uma surpresa. Bem humorado na superfície, o romance explora com responsabilidade e complexidade temas difíceis que vão desde os desafios da maternidade e o bullying escolar até estupro e violência doméstica – e sua capa original, de um colorido e vibrante pirulito explodido, representa o conteúdo perfeitamente. Ainda assim, nem sempre a transposição do literário para o audiovisual é um trajeto suave, especialmente quando falamos de conteúdos pesados e delicados na mesma medida, por isso um bom material de origem não era necessariamente garantia de uma boa série de televisão.

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Doctor Who: mulheres incríveis no espaço e tempo

Um sonho comum a todo whovian é que o Doctor apareça na porta de sua casa, estenda a mão e o leve para conhecer tudo o que há entre o tempo e espaço a bordo de sua nave espacial/ máquina do tempo, a T.A.R.D.I.S. (Time and Relative Dimension in Space). Enquanto sonhamos acordadas com o dia em que isso acontecerá, um grupo de mulheres já viveu altas aventuras acompanhando o Time Lord entre o passado e o futuro, o início dos tempos e o fim de tudo. Cada uma dessas mulheres trouxe algo de especial para a jornada do Doctor, dizendo o que ele precisa ouvir em momentos cruciais, sendo a parceira no crime de que ele precisava e, why not, se metendo em confusões sem a ajuda dele – e saindo delas belamente também, sem precisar gritar por socorro. O texto de hoje é uma pequena homenagem a essas mulheres que chutam bundas aqui na Terra, na Roma Antiga ou em uma espaçonave cheia de dinossauros.

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Mexeu com uma, mexeu com todas: uma reflexão sobre assédio, cultura do estupro e cultura pop

Quando li pela primeira vez a carta aberta publicada pela figurinista Susllem Tonani para denunciar o assédio sexual sofrido por ela pelo ator José Mayer, aquilo me doeu profundamente. Não só pela violência do que ela sofreu, mas porque lá estava uma mulher denunciando publicamente o assédio vivido por ela, usando seu nome e sobrenome para dar nome e sobrenome ao seu assediador no maior jornal do país. Um ato imenso de coragem tendo em vista o tipo de tratamento que mulheres vítimas de violência recebem no Brasil e também no resto do mundo, que é o pior possível. Mulheres são silenciadas, hostilizadas, desamparadas por mecanismos que deveriam protegê-las, e culpadas por crimes feitos contra elas, numa escalada bizarra de violência física, psicológica e simbólica. A agressão não acaba depois do ato, mas continua quando duvidam de sua palavra, quando relativizam sua história — “É brincadeira!”, “Não houve intimidação!”, eles dizem –, quando ela não tem a quem recorrer, quando o agressor sai impune, quando o agressor é celebrado, quando ela nem sequer tem noção de que foi vítima de uma violência, não sabe nomear aquilo que sofreu — o que ainda é o caso de tantas mulheres.

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13 Reasons Why: lado B

13 Reasons Why

O dia 7 de abril foi escolhido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para marcar o Dia Internacional da Saúde, definida pela própria organização como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade”. A cada ano a OMS escolhe um tema central para a campanha, e em 2017 o tema escolhido foi depressão, abraçando como lema a frase “let’s talk” (vamos conversar).

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The Killing, Sarah Linden e as mulheres complicadas da TV

Quem me recomendou The Killing foi Patti Smith. Para grande infelicidade minha, não estávamos batendo um papo agradável quando isso aconteceu, mas ela fala algumas vezes sobre a série no seu livro de memórias mais recente, Linha M. Talvez você não saiba, mas Patti Smith adora séries policiais. Nenhuma das várias que acompanha, no entanto, parece ser tão especial para ela quanto The Killing, à qual dedica um capítulo inteiro, discutindo seu cancelamento bem em meio a um enorme cliffhanger e todo seu carinho por sua protagonista.

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Crazy Ex-Girlfriend: Rebecca Bunch não é só uma garota apaixonada

Crazy Ex-Girlfriend, Psycho Ex-Girlfriend ou simplesmente Ex-Namorada Louca é uma trope recorrente na ficção e também nas narrativas midiáticas (que são apenas uma forma mais sofisticada de ficção). Trope (em português, tropo) é o nome que se dá a um padrão de narrativa que se repete nas histórias, fazendo referência, principalmente, à própria estrutura da narrativa ou a um tipo (arquétipo) recorrente de personagem. Assim, o tropo da ex-namorada louca diz respeito a uma personagem que nunca superou o término do namoro e vai perseguir seu ex-namorado, fazer de tudo para arruinar seus futuros relacionamentos e, dependendo do tamanho do ódio, destruir também a vida daquele cara – ou então só ficar com ele de novo, custe o que custar.

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