Navegando Pela Categoria:

CINEMA

CINEMA

Crítica: Okja e aquilo que preferimos não ver

Quando eu era criança, não suportava que galinhas prestes a virar uma refeição fossem trazidas para casa ainda com a cabeça. Olhar nos olhos da galinha era a comprovação incontestável de que a carne que eu consumia não surgia magicamente no supermercado, não era produzida em uma máquina, mas antes fora um animal com um coração pulsando. Embora essa experiência não tenha servido para me tornar vegetariana, ou muito menos vegana, vejo nela uma forte semelhança com a polêmica envolvendo o abate de um cordeiro em um programa na televisão – o horror e o desgosto, afinal, também vieram de dezenas de pessoas que consomem carne. Comprar um pedaço de carne no mercado ou no açougue significa se ver diante de um animal com todas as suas características cuidadosamente removidas, de cortes feitos meticulosamente por alguém experiente. Amorfa e bem embalada em plástico filme, a carne moída que vira meu hambúrguer em nada lembra as vacas de olhar moroso que eu costumava ver todas as manhãs da janela do ônibus. É claro que sei de onde ela veio. Mas posso escolher não pensar nisso, se eu não quiser.

Continue Lendo

CINEMA

Crítica: Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Antes de iniciar essa crítica, preciso fazer uma confissão: quando anunciaram que fariam uma terceira encarnação para o Homem-Aranha nos cinemas, pensei comigo mesma (e, provavelmente, compartilhei no Twitter tal pensamento) (pois claro) que não havia necessidade de ser feito mais um filme para o Cabeça de Teia. Já tínhamos passado pelo Peter Parker adorkable de Tobey Maguire e pelo hipster de Andrew Garfield; do que mais a gente precisa? Ainda que exista o apelo do personagem, que é favorito de muitos (inclusive, meu), e que a Marvel precisasse inseri-lo em seu universo cinematográfico, não parecia justo contarmos com mais um reboot de um herói masculino, quando tantas heroínas ansiavam para ganhar vida nas telonas – e o público, para ver isso acontecer.

Continue Lendo

CINEMA

Nobody puts Baby in the corner: o heroísmo por trás da mocinha de Dirty Dancing

Nasci em 1993 e meus filmes favoritos de infância foram Dirty Dancing: Ritmo Quente e Grease: Nos Tempos da Brilhantina. Sim, isso fez de mim uma criança no mínimo estranha e dançante demais, e talvez excessivamente romântica. Grease, meu primeiro musical favorito, chegou a mim por influência do meu pai; já Dirty Dancing apareceu na minha vida de formas um pouco mais misteriosas: por intermédio da Rede Globo de Televisão.

Continue Lendo

CINEMA LITERATURA

Off the Cliff: por que Thelma & Louise foi um filme fora da curva

Muito antes que eu soubesse que história contava Thelma & Louise, o filme já era uma referência conhecida para mim, citada nos diálogos de muitos outros filmes — ou séries, ou livros –, especialmente quando se tratava de personagens femininas. Foi somente no ano passado, com a chegada de seu aniversário de 25 anos, que finalmente parei para assisti-lo e entendi por que era tantas vezes mencionado. Thelma & Louise me pareceu muito diferente, embora naquele momento eu não soubesse dizer exatamente por quê. É sobre esse porquê que Off the Cliff, livro de Becky Aikman, se debruça. Com um subtítulo no qual se lê “como a realização de Thelma & Louise levou Hollywood ao extremo”, o livro narra os bastidores do filme de 1991 para tentar entender por que Thelma e Louise representaram uma pequena revolução desde a época de seu lançamento até os dias de hoje.

Continue Lendo

CINEMA

O poder do amor em Mulher-Maravilha

Mulher-Maravilha

Desde que estreou, no primeiro dia do mês de junho, Mulher-Maravilha vem quebrando recordes e arrebatando a audiência com mais força do que se Diana estivesse usando o laço da verdade nessa empreitada. O longa dirigido por Patty Jenkins e estrelado por Gal Gadot tem sido sucesso de crítica, brilhando até nos meios mais difíceis e machistas, e espalhando uma mensagem forte e poderosa – a de que garotas podem salvar o mundo com a força do amor.

Continue Lendo

CINEMA

Nancy Meyers e os sentimentos simplesmente complicados

Em sua resenha de Um Senhor Estagiário, filme mais recente de Nancy Meyers, Richard Lawson afirma que embora a diretora e roteirista receba menos reconhecimento do que merece por suas marcas registradas, um filme de Meyers é algo imediatamente identificável, da mesma maneira que é reconhecível um filme de Quentin Tarantino em seu próprio estilo. É uma comparação interessante não só porque Tarantino já revelou gostar de comédias românticas (além de provavelmente ser  a única pessoa além de mim que considerou Um Senhor Estagiário um de seus filmes favoritos em 2015), mas porque, quando paramos para analisar, é uma afirmação muito verdadeira – em termos de estilo e conteúdo, um filme de Nancy Meyers tem uma identidade muito própria que provavelmente nem todo mundo compra. São filmes sempre esteticamente agradáveis cujos cenários, especialmente os interiores, já se tornaram uma atração à parte, sempre em tons suaves, claros, com uma iluminação bonita. Seus temas são invariavelmente as relações humanas e a maneira como elas afetam diferentes personagens, especialmente as mulheres. Suas personagens têm conflitos que podem parecer pequenos quando colocados em perspectiva, mas que são relevantes para elas e, assim, são levados a sério – mas sem dispensar o bom humor.

Continue Lendo