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CINEMA

CINEMA LITERATURA

O dito e o não dito: a homossexualidade em The Children’s Hour

O teatro norte-americano do século XX sempre foi minha paixão. Foi através de filmes antigos que tomei conhecimento de nomes como Tennessee Williams e Eugene O’Neill, pois as peças de teatro deles foram largamente adaptadas para o cinema. Williams carrega no currículo oito peças de teatro (!!!) adaptadas para as telas hollywoodianas, sendo Uma Rua Chamada Pecado a mais famosa delas. Comecei a perceber que todos os nomes relevantes para o teatro dessa época eram homens. Cadê as mulheres? Foi aí que, felizmente, descobri Lillian Hellman.

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CINEMA LITERATURA

Estrelas além de Hollywood

De todos os filmes indicados ao Oscar desse ano, nenhum foi tão bem sucedido em seu país de origem quanto Estrelas Além do Tempo, longa de Theodore Melfi que conta, com algumas liberdades, a história real de três cientistas negras que trabalharam na NASA em plena época de segregação racial institucionalizada, dentro do estado que se opôs mais ferozmente ao fim dela, a Virgínia. O filme terminou a corrida sem nenhum Oscar, mas já deixou uma marca maior. Profundamente inspirador para meninas e mulheres, dentro dos Estados Unidos Estrelas Além do Tempo levou uma adolescente de 13 anos a criar um financiamento coletivo para permitir que mais garotas pudessem assistir ao filme e absorver sua mensagem empoderadora e, contam relatos, está inspirando jovens mulheres a buscarem espaço nas áreas de ciência e tecnologia, que — a história é velha — ainda são tradicionalmente masculinas.

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CINEMA COLABORAÇÃO

Maternidade: não precisamos ser perfeitas

“Desde que eu tive filhos, estou sempre atrasada”. É assim que Amy Mitchell (Mila Kunis) se apresenta no início do filme Perfeita é a Mãe (2016). E ela não está totalmente errada. Estar atrasada vira uma característica bem presente quando nos tornamos mães. Pra mim virou, pelo menos. O bebê suja a fralda quando estamos prontas para sair, vomita na sua roupa, dorme, chora. São muitas variáveis que influenciam a logística. Os bebês não estão nem aí para horários e padrões ou convenções sociais, eis aqui uma verdade. Depois que eles crescem, essa realidade não diminui, porque são muitas demandas e muitos pratos para conseguir manter girando no ar; como é o caso da protagonista, que faz tudo sozinha e, obviamente, está sempre correndo de um lado para o outro naquele ritmo frenético de quem precisa dar conta de tudo o tempo inteiro.

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CINEMA

De uma galáxia muito distante: Leia Organa

Era uma vez, em uma galáxia muito, muito distante, uma bela princesa de expressivos olhos castanhos, cabelos longos presos em um penteado irreverente e uma língua afiada. Como princesa, Leia Organa desafiava tudo aquilo que era esperado dela, subvertendo, desde muito cedo, as expectativas de todos. Para muitas meninas, Leia foi o primeiro contato com uma personagem feminina forte e destemida em um mundo dominado por homens, principalmente quando o assunto é um filme de ficção científica com naves espaciais, lutas de sabre e um elenco predominantemente masculino.

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CINEMA

Que Horas Ela Volta? – o lado que ninguém quer ver

Que horas ela volta?

Quando falamos de mulheres no mercado de trabalho, é comum voltarmos nossos olhos para as chamadas “mulheres poderosas” – vulgo, aquelas que conseguiram de alguma forma ultrapassar o teto de vidro* e conseguir algum sucesso no mundo dos homens. Mas essa não é a realidade da maioria da população feminina. Ainda que as mulheres tenham começado a ocupar o espaço público e o mercado de trabalho, persiste a divisão sexual do trabalho que deixa sobre as suas costas também todo o trabalho doméstico. Algumas de fato acumulam as funções, enquanto outras fazem uso do seu privilégio econômico para contratar outras mulheres (em geral, pobres) para se encarregar dessas tarefas. É por isso que nessa semana dedicada ao trabalho, nós precisamos muito falar sobre Que Horas Ela Volta?.

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CINEMA

Mary Pickford: muito mais do que a queridinha da América

“Para começar, olha quanto homem”, diria uma pessoa minimamente observadora ao pisar num set de filmagem pela primeira – ou pela vigésima – vez. Seria cômico se não fosse trágico: desde que o mundo é mundo, a indústria cinematográfica tem sido uma área composta substancialmente por homens; uma realidade que já dura décadas e que, a essa altura, sequer é uma novidade. A história do cinema, não por acaso, tem sido contada quase sempre por homens – a maior parte brancos – que são as pessoas que ainda mantém o poder sobre a indústria nas mãos; homens que são, quase sempre, muito talentosos, é verdade, mas é muito fácil ser talentoso quando se possui espaço para mostrar o próprio potencial.

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