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CINEMA

CINEMA

Por que a decisão de Nicole Kidman importa (mas é só o começo)

(Ou Cannes, representatividade, indústria cinematográfica e micropolítica)

“Eu faço [um esforço consciente de trabalhar com mulheres]. Eu acho que é necessário e vou continuar fazendo. Parte da minha contribuição é poder dizer: a cada 18 meses farei um filme com uma diretora, porque esse é o único jeito de as estatísticas mudarem. Quando outras mulheres começarem a dizer: ‘Não, eu vou ESCOLHER uma mulher agora’.”

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CINEMA TV

Todas as princesas que não fui

Eu sempre era a Pocahontas ou a Jasmin quando se tratava de ser uma princesa da Disney. Elas nem eram as princesas principais, mas eram as mais próximas da minha pele negra clara e da minha realidade de ter sido criança durante os anos 90. Entre as Três Espiãs Demais, eu era a Alex. Meninas Superpoderosas? Docinho. Rebelde? Lupita.

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CINEMA

Crítica: Okja e aquilo que preferimos não ver

Quando eu era criança, não suportava que galinhas prestes a virar uma refeição fossem trazidas para casa ainda com a cabeça. Olhar nos olhos da galinha era a comprovação incontestável de que a carne que eu consumia não surgia magicamente no supermercado, não era produzida em uma máquina, mas antes fora um animal com um coração pulsando. Embora essa experiência não tenha servido para me tornar vegetariana, ou muito menos vegana, vejo nela uma forte semelhança com a polêmica envolvendo o abate de um cordeiro em um programa na televisão – o horror e o desgosto, afinal, também vieram de dezenas de pessoas que consomem carne. Comprar um pedaço de carne no mercado ou no açougue significa se ver diante de um animal com todas as suas características cuidadosamente removidas, de cortes feitos meticulosamente por alguém experiente. Amorfa e bem embalada em plástico filme, a carne moída que vira meu hambúrguer em nada lembra as vacas de olhar moroso que eu costumava ver todas as manhãs da janela do ônibus. É claro que sei de onde ela veio. Mas posso escolher não pensar nisso, se eu não quiser.

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CINEMA

Crítica: Homem-Aranha: De Volta ao Lar

Antes de iniciar essa crítica, preciso fazer uma confissão: quando anunciaram que fariam uma terceira encarnação para o Homem-Aranha nos cinemas, pensei comigo mesma (e, provavelmente, compartilhei no Twitter tal pensamento) (pois claro) que não havia necessidade de ser feito mais um filme para o Cabeça de Teia. Já tínhamos passado pelo Peter Parker adorkable de Tobey Maguire e pelo hipster de Andrew Garfield; do que mais a gente precisa? Ainda que exista o apelo do personagem, que é favorito de muitos (inclusive, meu), e que a Marvel precisasse inseri-lo em seu universo cinematográfico, não parecia justo contarmos com mais um reboot de um herói masculino, quando tantas heroínas ansiavam para ganhar vida nas telonas – e o público, para ver isso acontecer.

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CINEMA

Nobody puts Baby in the corner: o heroísmo por trás da mocinha de Dirty Dancing

Nasci em 1993 e meus filmes favoritos de infância foram Dirty Dancing: Ritmo Quente e Grease: Nos Tempos da Brilhantina. Sim, isso fez de mim uma criança no mínimo estranha e dançante demais, e talvez excessivamente romântica. Grease, meu primeiro musical favorito, chegou a mim por influência do meu pai; já Dirty Dancing apareceu na minha vida de formas um pouco mais misteriosas: por intermédio da Rede Globo de Televisão.

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CINEMA LITERATURA

Off the Cliff: por que Thelma & Louise foi um filme fora da curva

Muito antes que eu soubesse que história contava Thelma & Louise, o filme já era uma referência conhecida para mim, citada nos diálogos de muitos outros filmes — ou séries, ou livros –, especialmente quando se tratava de personagens femininas. Foi somente no ano passado, com a chegada de seu aniversário de 25 anos, que finalmente parei para assisti-lo e entendi por que era tantas vezes mencionado. Thelma & Louise me pareceu muito diferente, embora naquele momento eu não soubesse dizer exatamente por quê. É sobre esse porquê que Off the Cliff, livro de Becky Aikman, se debruça. Com um subtítulo no qual se lê “como a realização de Thelma & Louise levou Hollywood ao extremo”, o livro narra os bastidores do filme de 1991 para tentar entender por que Thelma e Louise representaram uma pequena revolução desde a época de seu lançamento até os dias de hoje.

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