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Yuu

CINEMA

O Sorriso de Monalisa: papéis tradicionais, arte e subversão

O Sorriso de Monalisa

De maneira despretensiosa, a trama de O Sorriso de Monalisa é introduzida com o barulho das teclas de uma máquina de escrever e uma voz feminina narrando a breve passagem da professora de arte Katherine Watson (Julia Roberts) pela Wellesley, uma faculdade de prestígio para mulheres que promete formar as mentes mais brilhantes do país, no outono de 1953. A cena mostra a professora num trem vindo da Califórnia, onde ela lecionava a mesma matéria para calouros na Oakland State, e logo no princípio foi enfatizado que a escolha por Wellesley fora sua, apesar de todas as dificuldades enfrentadas para fazer parte do corpo docente de uma faculdade tão contrastante em nível social, e também tão conservadora.

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CINEMA

God help the girl, she needs all the help she can get

God Help the Girl

Quando God Help the Girl estreou em 2014, lembro ter escavado a internet para encontrar o filme para assistir – algo que não podemos recomendar por motivos legais, mas que todas nós sabemos como fazer. Na ocasião, meu principal incentivo para assistir ao filme era a Emily Browning, minha atriz favorita que ocupa o papel principal. Contudo, o que fez God Help the Girl escalar a lista dos meus favoritos foi a história sensível, narrada entre músicas, de uma garota tentando vencer seus transtornos.

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LITERATURA

Sempre Vivemos no Castelo: até onde um refúgio pode proteger quem nele reside?

Sempre Vivemos no Castelo

Desde que comecei meu passeio pela literatura americana, não me lembro de ter ouvido falar uma única vez o nome de Shirley Jackson, o que neste momento eu tomo por uma falta muito grande, visto que seu último livro, Sempre Vivemos no Castelo, publicado em 1962, não pode ser descrito de outra forma senão impressionante. A autora americana foi amplamente reconhecida ainda em vida; suas obras são tópico de estudo na literatura americana pela sua peculiaridade temática e narrativa, além de ser notadamente uma das influências de autores como Neil Gaiman e Stephen King, só para citar alguns nomes.

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LITERATURA

As Filhas Sem Nome: um fragmento da realidade das mulheres chinesas por Xinran

As Filhas Sem Nome

Quando falamos sobre a China, qual é a primeira coisa que vem à sua cabeça? De dados geopolíticos que englobam o maior número de habitantes no mundo e uma economia poderosa às características culturais que vão do símbolo do dragão ao yakisoba passando pelo consumo de importados em massa, de minha parte, nunca me debrucei mais a fundo sobre a história do país. O que era necessário saber sobre a China, eu aprendi em livros didáticos, noticiários e uma ou outra curiosidade. Minha avidez por conhecimento não se estendia à cultura chinesa em geral, mas se for para falar do contexto tradicional das mulheres chinesas, a perspectiva é outra. E eu digo por quê.

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TV

The Handmaid’s Tale: Nolite te bastardes carborundorum

The Handmaid's Tale

Quando a plataforma de streaming americana Hulu anunciou que tinha uma adaptação do livro de Margaret Atwood, O Conto da Aia, em andamento, foi dada a largada para os leitores e seriadores mais ávidos se situarem do enredo da história e contarem os dias para conferir o que a série poderia oferecer.  Com Elisabeth Moss e Alexis Bledel no elenco, entre outros grandes nomes, a premissa parecia ser fiel ao livro que a originou: num futuro distópico, os Estados Unidos haviam caído e em seu lugar foi criada a nação de Gilead – um lugar onde a adoração religiosa parecia ser a base da salvação do mundo. Para isso, homens e mulheres teriam de se posicionar e assumir seus deveres, mas apenas uma parte fez isso voluntariamente. Consegue adivinhar qual? É, você acertou.

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INTERNET TV

Emma Approved: uma adaptação mais do que aprovada

Emma Approved

A partir do momento que a escolha do elenco da versão hollywoodiana de Ghost in the Shell – A Vigilante do Amanhã foi anunciada com o nome de Scarlett Johansson no papel principal, criou-se o burburinho pela mídia a respeito do whitewashing da escolha. Afinal, a personagem era proveniente da cultura japonesa e a atriz escalada tinha ascendência bem ocidental. Antes, durante, e após a estreia do filme, muitas críticas negativas foram escritas a respeito do apagamento da cultura japonesa do filme e da falta de representatividade das minorias étnicas que permanece latente na indústria do entretenimento, apesar das cobranças mais ávidas que têm sido feitas pelo público e por muitos profissionais que também compõem essa indústria. Eu poderia acrescentar meus dois centavos no assunto, mas, primeiro, uma crítica sobre o filme já foi publicada aqui; e, segundo, por que insistir em destacar as produções que erraram ao invés de apresentar aquelas que acertaram, e muito? Pensando nisso, hoje vamos falar de Emma Approved, uma webssérie baseada no romance homônimo de Jane Austen, adaptada em um roteiro moderno e disponível a alguns cliques de distância, no YouTube.

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