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Valkirias

LITERATURA

O Conto da Aia e como a maternidade é uma grande questão de gênero

O que é ser mãe?

Ainda hoje persistem diversas concepções essencialistas em relação ao que significa “ser mulher”; com relação a “ser mãe” não é diferente. Apesar de considerarem que todas as mulheres têm (ou ao menos deveriam ter) o “dom” para a maternidade ou um instinto materno, “diversas revisões históricas acerca da instituição familiar sugerem que a exaltação ao amor materno é algo relativamente recente. O vínculo maternal “tradicionalmente descrito como instintivo e natural é um mito construído pelos discursos filosóficos, médico e político a partir do século XVII. Antes, o que predominava era um sentimento que beirava o desinteresse dos pais em relação aos filhos.”

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TV

Dear White People e os muitos porquês do movimento negro

Dear White People

Releitura do filme homônimo, Dear White People é uma das séries lançadas pela Netflix em abril. Assim como 13 Reasons Why, a intenção da série é tratar de problemas comumente ignorados pelos meios de comunicação e por vários setores da sociedade. No caso da trama “Cara Gente Branca”, o que se pretende denunciar é o racismo institucionalizado e estrutural, o contrário da ideia de sociedade “pós-racial” que alguns acreditam existir.

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MÚSICA

Entre lobos e cordeiros: Taylor Swift e o que significa ser uma mulher sob os holofotes do mundo

Da escolha de seu nome, passando por mudanças de sonoridade até o uso das redes sociais: nada a respeito de Taylor Swift é por acaso. A escolha da capitalização das letras no encarte dos seus discos é a chave para mensagens secretas, seus clipes são carregados de simbolismos, 13 é o número de sua vida e ele está em todos os lugares, mas não é só isso. Seus pais escolheram lhe dar um nome sem gênero definido porque imaginaram que, caso ela resolvesse seguir carreira no mundo dos negócios, as pessoas não saberiam se Taylor fazia referência a um homem ou a uma mulher ao ver seu nome num cartão, lhe poupando, pelo menos no início, de ser subestimada apenas por ser mulher. 

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TV

Crítica: Girlboss – pelo direito de ser imperfeita

A seguir uma releitura livre de eventos verdadeiros. Muito livre. É com essas duas frases que a Netflix apresenta sua mais nova série de “dramédia”, Girlboss. Baseado no livro biográfico escrito por Sophia Amoruso, Girlboss chegou completa com seus treze episódios ao serviço de streaming no último dia 21 de abril. Produzida por um time de mulheres incríveis – de Kay Cannon, criadora de A Escolha Perfeita, à Charlize Theron, que dispensa apresentações, além da própria Sophia – a série surge como uma releitura bem-humorada da trajetória de Amoruso no mundo dos negócios; desde as pedras em seu caminho até o sucesso da Nasty Gal, sua marca milionária, passando por momentos de preciosas epifanias, amizades, romances, festas, conflitos familiares, em resumo, todas as nuances que fazem parte da vida de qualquer pessoa.

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TV

Problematizando Rory Gilmore: o revival

Quando ainda aguardávamos para saber por onde andaria Rory Gilmore (Alexis Bledel) em 2016, antes da estreia do revival de Gilmore Girls: A Year in the Life, fizemos questão de argumentar que a menina dos olhos de Stars Hollow passava longe de ser perfeita, mas que isso era ótimo. Ao contrário, Rory é complexa e, por isso, uma personagem muito humana. Desde lá, o revival veio e se foi e talvez nada nele tenha sido tão polêmico e discutido à exaustão quanto a caracterização da Gilmore mais jovem. Rory Gilmore é um monstro. Rory Gilmore é um desastre. Rory Gilmore nunca se tornou uma adulta. Rory Gilmore é… complicada.

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TV

Crítica: Big Little Lies, uma história sobre mulheres

Para quem leu Pequenas Grandes Mentiras, romance da australiana Liane Moriarty lançado em 2014, a qualidade de Big Little Lies, minissérie da HBO baseada no romance, bem como sua boa acolhida pela crítica, não chega exatamente como uma surpresa. Bem humorado na superfície, o romance explora com responsabilidade e complexidade temas difíceis que vão desde os desafios da maternidade e o bullying escolar até estupro e violência doméstica – e sua capa original, de um colorido e vibrante pirulito explodido, representa o conteúdo perfeitamente. Ainda assim, nem sempre a transposição do literário para o audiovisual é um trajeto suave, especialmente quando falamos de conteúdos pesados e delicados na mesma medida, por isso um bom material de origem não era necessariamente garantia de uma boa série de televisão.

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