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Valkirias

TV

Troféu Valkirias de Melhores do Ano: Televisão

O ano de 2017 pode ser facilmente classificado como o das narrativas sobre mulheres. Foram várias as séries e produções que focaram em suas personagens femininas, em sua força e resiliência, em suas histórias, dramas e sonhos. Foi 2017 que nos trouxe a incrível adaptação de O Conto da Aia, livro homônimo escrito por Margaret Atwood, e também Big Little Lies, inspirado no livro de Liane Moriarty. Nunca antes as produções colocaram tantas mulheres em foco, contando suas próprias histórias e impressões sobre a vida, o universo e tudo o mais. O ano das narrativas sobre mulheres também é o ano das quebradoras de silêncio, quando tantas delas ergueram suas vozes para apontar aqueles que as fizeram calar anteriormente por medo de perderem suas carreiras e até mesmo suas vidas. Ainda que 2017 nos tenha trazido tantas personagens femininas intrigantes e narrativas feitas por elas, em boa parte dos casos isso só foi possível devido a uma estrutura doentia que perdura há anos com base em abusos.

2017 está terminando e o que fica é um sabor agridoce: nos calamos e não fomos ouvidas por muitos anos. Não mais.

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COLABORAÇÃO TV

Malhação: viva a diferença e viva Cao Hamburguer

Garotas muito diferentes entre si que acabam virando amigas não é uma narrativa nova. A Irmandade das Calças Viajantes, Agora e Sempre, Maldosas, W.I.T.C.H., Vivendo e Aprendendo são apenas alguns exemplos. Mas dentro das 25 temporadas do seriado Malhação, exibido desde 1995 na Rede Globo, isso é algo completamente inédito. Em 22 anos, é a primeira vez que a série tem cinco protagonistas. Todas garotas, todas diferentes em suas vidas e seus passados — as cinco conectadas de repente pelo mesmo vagão do metrô.

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CINEMA COLABORAÇÃO

Assassinato no Expresso do Oriente: mais do que uma história de detetive

Se alguém se dispuser a fazer uma rápida pesquisa no Google à procura de imagens de Agatha Christie, possivelmente encontrará dificuldades para relacionar a senhora inglesa de aparência amigável – trajando terninhos e vestidos elegantes acompanhados por um clássico colar de pérolas e cabelos perfeitamente alinhados em um penteado de vovó – ao gênero literário pelo qual se consagrou: o romance policial. Crimes motivados por vingança, amor, ódio e interesses financeiros, muitas vezes ambientados em cenários idílicos de condados britânicos entre uma partida de golfe e a hora do chá, são figurinhas carimbadas em suas histórias, sejam elas protagonizadas pela perspicaz Miss Marple, os aventureiros e amadores Tommy e Tuppence, ou, claro, o pomposo Hercule Poirot.

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TV

Stranger Things 2 – Uma temporada totalmente tubular

Stranger Things

Mil novecentos e oitenta e quatro, e estamos de volta à cidade de Hawkins, Indiana, cerca de um ano após os surreais acontecimentos que atormentaram a vida de seletos habitantes da cidade e jogaram por terra seu ceticismo perante criaturas monstruosas e universos paralelos. Previously in Stranger Things, acompanhamos Mike (Finn Wolfhard), Dustin (Gaten Matarazzo) e Lucas (Caleb McLaughlin) na busca por Will (Noah Schnapp), que desapareceu misteriosamente em uma noite após uma sessão de RPG. O que eles não sabiam é que o monstro antes enfrentado exclusivamente num tabuleiro se tornaria tão real que acabaria envolvendo as pessoas mais próximas e as autoridades locais e do mais alto escalão – porque, em plena Guerra Fria, experimentos laboratoriais que desafiavam leis da física e morais éticas estavam sendo conduzidos por baixo dos panos, o que resultou em Eleven (Millie Bobby Brown), uma menina com poderes telecinéticos que se tornaria uma peça crucial na missão de resgate e também o primeiro indício de uma trama de maior complexidade. Ao final da primeira temporada, vemos que o resgate de Will não foi o desfecho dessa série de coisas estranhas que aconteceram na cidade – ele era só a conclusão do prólogo que narra a ligação do mundo que conhecemos com um mundo deveras Invertido. Continue Lendo

TV

Live more, laugh more, eat more, talk more: Um ano de Gilmore Girls – A Year in the Life

A Year in the Life

Em “Those Are Strings, Pinocchio”, Rory (Alexis Bledel) abre seu discurso de oradora da turma dando as boas-vindas a todos os presentes e descrevendo como foi esperar o dia de sua formatura: “Jamais pensamos que esse dia chegaria. Rezamos pela sua rápida chegada, riscamos os dias dos nossos calendários, contamos horas, minutos e segundos”. Da mesma forma podemos descrever como foi a nossa expectativa para o revival de Gilmore Girls; evento com o qual sonhamos brandamente desde o final da série clássica em 2007 e ardentemente desde que foi confirmado em meados de 2015.

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COLABORAÇÃO TV

Queen Sugar: desconstruindo estereótipos

É notório que a representação de pessoas negras no cinema e na TV norte-americana vem passando por mudanças gradativas. Se aos personagens negros homens se reservava a representação de forma marginalizada, imersos em ambientes de violência e vícios, como o alívio cômico contrastando com a imagem badass do protagonista, o homem sexualizado ou, ainda, aqueles que serviam como trampolim para o desenvolvimento e sucesso do mocinho branco; a poucos e lentos passos, a realidade tem mudado. Quando falamos sobre mulheres negras, no entanto, essa representação soa ainda mais injusta: muitas delas são as “mães guerreiras” que têm seus filhos envolvidos em crimes; mães negligentes – drogadas, em sua maioria; mulheres extremamente sexys que acabam, mais hora, menos hora, sendo abusadas.  Continue Lendo