Posts de:

Sofia Soter

TV

You Me Her: bissexualidade, poliamor e um final feliz

Quando eu ouvi falar de You Me Her pela primeira vez, fiquei empolgada. Dez minutos depois, minha reação mudou para preocupação. Afinal, You Me Her é uma série sobre uma relação poliamorosa com duas protagonistas bissexuais – e eu já me decepcionei vezes demais com a representação de relações não-monogâmicas e de personagens bissexuais em séries e filmes.

Continue Lendo

CINEMA

Logan: O limite físico dos super-heróis

No mundo dos super-heróis, não há consequências. Morte não é definitivo, só uma forma de gerar impacto emocional e deixar um personagem de lado por um tempo, até alguém ter interesse em revivê-lo para novas histórias. Relacionamentos – familiares, românticos, profissionais, de amizade – são tão variáveis que tentar explicar o mínimo de história de um super-herói para alguém que não conhece quadrinhos pode ser enlouquecedor. Fatores físicos ou emocionais são reversíveis, mesmo que pareçam fundamentais para o personagem (por exemplo, as cicatrizes características do Deadpool desapareceram no atual título Spider-Man/Deadpool, e o tradicionalmente anti-nazista Capitão América agora é da Hydra).

Continue Lendo

TV

Sweet/Vicious: sem medo de tomar partido

Jules (Eliza Bennet) é loira, adora cor de rosa, é estudiosa, mora em uma sororidade e só consegue estudar na faculdade porque tem bolsa. Ophelia (Taylor Dearden) tem cabelo verde, mata todas as aulas para fumar maconha, é hacker por diversão e só consegue estudar na faculdade porque os pais têm muito dinheiro. Elas se conhecem por acaso, formam uma amizade inusitada e logo no primeiro episódio cantam juntas “Defying Gravity”.

Ah, é. Elas também são super-heroínas que atacam estupradores.

Continue Lendo

LITERATURA

The Interestings: o medo de não ser excepcional

Quando eu era adolescente, tudo que eu queria era ser excepcional. Na verdade, mais que isso: eu não só queria ser excepcional, mas acreditava piamente que eu era. Minha vida inteira eu tinha ouvido que eu era inteligente, que eu era madura, que eu tinha enorme potencial: da minha família, dos professores do colégio que me comparavam aos seus alunos universitários, de todo mundo que me explicava que eu sofria bullying porque “essas outras pessoas estão com inveja”. Eu ouvia “Live Forever” do Oasis e cantava gritando “we see things they’ll never see”, eu escrevia longos e-mails e textos em diários com exclamações e hipérboles sobre como eu sentia tudo e sabia tudo e podia tudo e não podia nunca me render à normalidade (quando mais cruel, o termo que eu usava era mediocridade), eu fazia pactos com minhas amigas para que nunca deixássemos esse sentimento acabar. Eu acreditava inteiramente na fala da basketcase interpretada por Aly Sheedy em O Clube dos Cinco: “quando você cresce, seu coração morre.”

Continue Lendo

CINEMA

10 filmes para quem tem medo de terror

Eu sou, e sempre fui, muito medrosa. Tenho medo de atravessar ruas, de mexer com fogo, de mergulhar no mar; tenho medo de montanha-russa, grandes alturas e lugares cheios; detesto adrenalina e adoro controle. Por isso, durante a maior parte da minha vida eu passei longe de filmes de terror. Evitava a área nas locadoras, ia para outro cômodo ler quando meus amigos viam juntos, até dormi no meio de Jogos Mortais porque minhas amigas faziam muita questão de ver e eu achei mais eficiente fechar os olhos e cobrir os ouvidos com um travesseiro.

Continue Lendo

CINEMA

Mother, May I Sleep with Danger: subversão no Lifetime

Em 1996, Tori Spelling, conhecida principalmente pelo papel de Donna Martin na série Barrados no Baile (Beverly Hills, 90210), estrelou o telefilme Mother, May I Sleep with Danger?. Vinte anos depois, ela voltou (assim como Ivan Sergei, o outro protagonista do original) para o suposto remake, feito pelo canal americano Lifetime. Digo “suposto” porque, apesar de ter sido anunciado como um remake, o filme de 2016 transforma e subverte tanto do enredo original que a comparação nunca nem seria feita se o título fosse diferente.

Continue Lendo