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Paloma

CINEMA

Nise da Silveira: a afetividade que muda o mundo

Nise: o coração da loucura

O pensamento tradicional funciona em grande parte com base em dualismos. A partir desses dualismos são construídos pares conceituais que se contrapõem entre si – alto/baixo, forte/fraco, racional/emocional, masculino/feminino – e que buscam organizar em algum nível todos os elementos e valores que compõem o mundo. A teoria feminista denuncia que, longe de serem construções neutras, esses dualismos recebem conotação sexuada, no qual o valor associado ao masculino é sempre considerado superior ao feminino. Essa sexualização dos dualismos tem uma relação muito próxima com os estereótipos de gênero, do que decorre a mentalidade social que identifica, por exemplo, sempre as mulheres com o emocional.

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TV

Todas as lições que podemos aprender com Steven Universe

Steven Universe

Nos últimos dias, minha grande diversão tem sido tentar resumir o argumento central de Steven Universe para amigas que nunca ouviram falar nesse desenho. Não que o jogo “resuma a história do seu/sua filme/livro/série favorito/a em um tweet” não resulte sempre em coisas divertidas e surpreendentes, por nos fazer pensar — normalmente pela primeira vez — no que é o núcleo do núcleo da história contada, e ainda assim parece ser muito pouco se comparado à magnitude e complexidade da obra final, seja ela qual for. Mas no caso de Steven Universe, a brincadeira fica ainda mais divertida por trazer uma combinação de diversos elementos surpreendentes. Continue Lendo

TV

The Handmaid’s Tale e a heterossexualidade compulsória

The Handmaid's Tale - Emily

Nós, mulheres, somos “valorizadas” e escravizadas na medida do nosso potencial reprodutivo. Essa é uma premissa muito importante de The Handmaid’s Tale, e também é uma premissa muito importante da vida real. A maternidade na sociedade humana, para além da função óbvia de perpetuar a espécie, serve a uma função social subjacente de manutenção da opressão. Para cumprir seu “destino biológico”, pelo menos durante a maior parte da história humana, é preciso que mulheres se relacionem sexualmente com homens. E, para nós, “se relacionar” com homens sempre pressupôs uma dinâmica conhecida de dominação masculina e submissão feminina.

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TV

Está na hora de perdoarmos Ellis Grey por ser humana

Ellis Grey

É notório o quão importante é Ellis Grey (Kate Burton) como elemento da história em Grey’s Anatomy. Ele parece carregar sobre os ombros a responsabilidade sobre tudo o que a filha, Meredith (Ellen Pompeo), é e não é. Se Meredith é uma médica excepcional com talento natural, é porque herdou as habilidades da mãe; se Meredith tem algumas dificuldades em lidar com sentimentos, é porque a mãe era uma pessoa fria. Apesar de toda a relevância da personagem como uma presença que paira sobre as treze temporadas da série, não temos contato com a Ellis Grey pessoa em mais do que um punhado de cenas.

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CINEMA

Que Horas Ela Volta? – o lado que ninguém quer ver

Que horas ela volta?

Quando falamos de mulheres no mercado de trabalho, é comum voltarmos nossos olhos para as chamadas “mulheres poderosas” – vulgo, aquelas que conseguiram de alguma forma ultrapassar o teto de vidro* e conseguir algum sucesso no mundo dos homens. Mas essa não é a realidade da maioria da população feminina. Ainda que as mulheres tenham começado a ocupar o espaço público e o mercado de trabalho, persiste a divisão sexual do trabalho que deixa sobre as suas costas também todo o trabalho doméstico. Algumas de fato acumulam as funções, enquanto outras fazem uso do seu privilégio econômico para contratar outras mulheres (em geral, pobres) para se encarregar dessas tarefas. É por isso que nessa semana dedicada ao trabalho, nós precisamos muito falar sobre Que Horas Ela Volta?.

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