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Júlia Medina

LITERATURA

A Glória e Seu Cortejo de Horrores

Rio de Janeiro sempre foi, para mim, uma cidade decadente. Mesmo que eu nunca tenha realmente morado lá, eu sempre senti o peso da história que nunca chegou a ser o que prometia, o peso de gerações passadas, o peso da minha família. Meus pais vieram do Rio para São Paulo no final da década de 1980 e desde então minha família nuclear é mais paulistana que carioca, mas sempre que visito a cidade eu volto a sentir esse peso. O peso é totalmente uma invenção da minha cabeça, eu sei disso. É irracional porque nunca morei no Rio, eu apenas viajei para lá de uma a duas vezes por ano durante todos os anos da minha vida. Continue Lendo

CINEMA

Crítica: Em Pedaços

Muitas vezes temas que são polêmicos e muito abordados nas grandes mídias, quando vistos sob uma ótica mais próxima, ficam nebulosos, inexatos e difíceis de entender. No final, o caminho mais fácil (e talvez o certo) é o de entender que muitas coisas funcionam como um espectro, e que a cor predominante é o cinza. Muitas temas estão nessa área cinza.

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TV

O humor possível: The Good Place

São muitas as perguntas sobre a morte. Existe vida após a morte? Céu? Inferno? Purgatório? Para onde vão as almas das pessoas boas? Almas existem? Quem é que julga as pessoas? Deus? Você acredita em Deus? Ou será que a gente apenas deixa de existir? Você acredita em reencarnação?

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CINEMA

Crítica: Mãe! e o mundo criado por homens

Ciclos que se repetem. Essa sempre foi a minha visão do inferno. Ou do meu pior pesadelo. Ou os dois. É mais ou menos aquilo que Dante Alighieri escreveu em a Divina Comédia quando criou os vários círculos do inferno que, ao todo, são nove. Cada círculo é mais profundo e terrível que o outro, para pecados cada vez piores. Sempre que penso em inferno também lembro do mito de Prometeu, aquele que conseguiu roubar o fogo dos deuses para o benefício dos humanos, mas por isso teve que pagar muito caro. Castigado por toda a eternidade, preso a uma rocha, todos os dias uma ave comia seu fígado apenas para o mesmo ser regenerado durante a noite para, ao retorno da ave na manhã seguida, o fígado ser novamente comido. Era um ciclo sem fim. 

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LITERATURA MÚSICA

Blank Space, Garota Exemplar e a tradição literária

Ao longo do tempo, na tradição de contar histórias, muitos temas se repetiram e ainda se repetem. Histórias como a de Jesus, Frodo Bolseiro, Anakin Skywalker e Harry Potter, por exemplo, possuem muitas semelhanças entre si, pois todas as três se encaixam dentro do conceito de Jornada do Herói (ou Monomito), que segundo o antropólogo e criador do conceito, Joseph Campbell, possui três estágios principais: a separação, quando o herói é chamado à sua missão; a iniciação, quando ele se prepara para a aventura; e o retorno, quando o herói enfrenta a crise e a morte e volta de sua aventura. Mesmo desenvolvidas em torno do mesmo tema, o Novo Testamento, O Hobbit, Star Wars e Harry Potter não são obras iguais, tampouco cópias uma das outras. Apesar das quatro histórias encaixarem na mesma estrutura da Jornada do Herói, cada uma foi construída de certa maneira e segundo a estilística de seus autores.

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CINEMA

Crítica: Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

O cinema sempre navegou entre ser imagem ou ser narrativa. Alguns podem dizer que imagens também contam histórias enquanto outros dizem que a história não é o mais importante para o filme. Mas ainda não existe um consenso; é sempre uma questão. Sob outra perspectiva, para as adaptações cinematográficas de obras literárias, por serem adaptações, na maioria da vezes dá-se a preferência para as histórias. E são exatamente as histórias os maiores alvos de críticas e reclamações desse tipo de filme.

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