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Fernanda

LITERATURA

O Grande Gatsby e a tragédia pessoal de Daisy Buchanan

Ao longo de sua curta vida, F. Scott Fitzgerald escreveu mais de uma centena de contos para sobreviver e alguns poucos romances para responder às suas aspirações artísticas mais profundas. Sempre que lançava um romance, também publicava, mais ou menos à mesma época, um livro de contos cujos temas se assemelhavam àqueles desenvolvidos na narrativa mais longa. À época de O Grande Gatsby, Fitzgerald lançou All the Sad Young Men [Todos os jovens homens tristes] e, não por acaso, ele é muito próximo de Gatsby. Nick Carraway, o narrador do romance, é claramente um desses homens tristes: melancólico e reflexivo, assistindo das beiradas, profundamente ciente da vida que passa e de seu próprio distanciamento dela. O Gatsby, que dá nome ao livro, não é realmente um homem triste, mas é trágico: obsessivamente atrás de um passado que não pode recuperar, ele tenta tudo, mas, no fim das contas, é destruído pelo seu sonho. Sonho esse que parece incluir construir uma vida ao lado de Daisy Buchanan, considerada por muitos como a grande antagonista de sua história. Só que Daisy também tem a própria cota de tragédia, que costumamos ignorar.

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LITERATURA TV

Livre, a referência mais importante do revival de Gilmore Girls

No terceiro episódio do revival de Gilmore Girls, Lorelai (Lauren Graham) é vista lendo Livre – originalmente chamado de Wild –, livro de memórias de Cheryl Strayed publicado em 2012 e adaptado para o cinema em 2014 pela então recém-nascida produtora de Reese Witherspoon. Diferentemente do que seria natural esperar, nos quatro episódios do revival a referência literária mais importante não parte de Rory, e sim com Lorelai. Livre se torna extremamente importante para a jornada vivida pela personagem.

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CINEMA

O que Legalmente Loira tem a nos dizer 15 anos depois

No dia 26 de junho de 2001, quinze anos atrás, acontecia a premiere de Legalmente Loira, estrelado pela hoje vencedora do Oscar, produtora e uma das maiores defensoras de campanhas como a #AskHerMore, Reese Witherspoon. Desde lá, ele ganhou a internet, teve (muitos) momentos inspiradores transformados em gifs, foi declarado como o filme mais feminista de todos os tempos em posts no Buzzfeed e, é claro, foi problematizado também. Legalmente Loira foi um dos meus filmes favoritos enquanto adolescente, mas, depois de muito tempo sem rever, me peguei me perguntando o que ele teria a dizer para a Fernanda de hoje.

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TV

Edith Crawley e a jornada do amor próprio em Downton Abbey

Um dos maiores sucessos recentes da televisão britânica foi Downton Abbey, drama de época que acompanhou por uma década a família e os empregados que viviam na fictícia casa de mesmo nome. É difícil definir um protagonista na série, já que seu elenco é muito grande e os roteiristas deram, e desenvolveram, tramas para todos. Assim, talvez seja mais fácil afirmar que ela foi protagonizada por personagens diferentes em momentos diferentes. Edith Crawley, filha do meio da aristocrática família de Downton, demorou para ganhar seu momento – mas ele veio e, quando veio, foi uma das jornadas mais bonitas de acompanhar.

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LITERATURA

Sociedade Secreta e os lugares de mulher

Em Um Teto Todo Seu, Virginia Woolf dá voz a uma tal de “Mary Beton, Mary Seton, Mary Carmichael, ou qualquer nome que lhe agrade — não é uma questão de importância alguma”, a quem é dada a missão de escrever sobre o tema “mulheres e ficção”. Mary é impedida de caminhar pelo gramado da universidade de “Oxbridge” — seu lugar, como mulher (e, portanto, definitivamente não uma estudante da instituição), é o cascalho.

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TV

Mad (Wo)Men

Quando comecei a assistir a Mad Men, foi menos por algum interesse particular na série do que por um misto de curiosidade com um pouquinho de má vontade, tudo devido aos muitos Emmys que ela ganhou ao longo de vários anos (tenho certa preguiça de coisas que ganham prêmios todo ano, embora hoje eu concorde e ache que merecia mais, inclusive). Então, sabia muito pouco, quase nada, a respeito – exceto que a trama se passava nos anos 1960, dentro de uma agência de publicidade. E que ela era uma história sobre homens, claro, os tais “mad men” do título.

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