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Ana Luiza

TV

Downton Abbey e a prova de que o amor não tem idade

O que é uma história de amor? Estritamente falando, é aquela que se propõe a contar a trajetória de duas pessoas que cruzam o caminho uma da outra, se apaixonam, e vivem esse romance – ou, pelo menos, a ideia dele. O relacionamento é a força motriz da narrativa que, por sua vez, é pautado primordialmente pelo amor romântico; esse sentimento tão universal e, não por acaso, incansavelmente explorado na ficção. Contudo, quando pensamos nessas narrativas, quase sempre nos atemos a uma faixa etária muito específica. São personagens muito jovens que normalmente protagonizam essas histórias, algo que fica ainda mais evidente quando falamos sobre personagens femininas. Elas são especialmente bonitas e especialmente jovens; uma construção que, eventualmente, também chega para cobrar a sua conta.

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LITERATURA

Quando tudo faz sentido: muito além das leis da física

“Obviamente, você nunca foi uma garota de 13 anos”, diz Cecilia (Hanna R. Hall), personagem de As Virgens Suicidas, após ser confrontada pelo seu médico, que não acredita que ela, uma jovem bonita e doce, com uma vida inteira pela frente, teria vivido o suficiente para conhecer o lado mais obscuro da vida, quem dirá ser responsável por uma tentativa de suicídio. A resposta de Cecilia sintetiza conflitos e sentimentos que, se não suficientes para justificar suas ações, apresentam um novo olhar sobre experiências adolescentes e sua complexidade – exatamente o contrário do que nos diz o senso comum.

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CINEMA

Crítica: Guardiões da Galáxia – Vol. 2

Em 2014, quando o primeiro Guardiões da Galáxia chegou aos cinemas, blockbusters de super-heróis já eram um negócio mais do que consolidado: quase seis anos haviam se passado desde que a Marvel, essa imensa e ambiciosa Casa de Ideias, apostara na fórmula que catapultou seus heróis ao estrelato – mais de dez se pensarmos em seu primeiro filme, lançado quando a ideia de um universo expandido ainda parecia um plano muito distante –; uma fórmula ousada e igualmente ambiciosa que, na contramão daquilo que vinha sendo feito até então, se apoiava numa adaptação que não era nem uma versão do realismo sombrio e de cores escuras incorporado à época com louvor pela DC, nem uma fantasia colorida e completamente deslocada da realidade, como os clássicos filmes de super-heróis da década de 80.

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TV

Mary Winchester não é uma donzela em perigo

Dois de novembro de 1986. Algum tempo após colocar os filhos para dormir, uma mãe acorda com o barulho da babá eletrônica, posicionada estrategicamente ao lado da própria cama. “John?”, ela chama, ainda sonolenta, pelo marido; ele, contudo, não se encontra ao seu lado. Assim, ela levanta e se dirige até o quarto do bebê, cansada após mais um dia dedicado ao cuidado dos filhos, do marido e do lar; mas ao chegar no quarto, encontra um homem debruçado sobre o berço do bebê. No escuro e de costas para ela, sua silhueta lhe parece com a do marido, e sendo ele o único homem adulto na casa, não há nada com o que se preocupar – exceto que há algo muito errado acontecendo naquela casa. Era para ser uma noite qualquer na casa dos Winchester; até não ser mais.

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TV

The Paradise: uma história sobre ambição feminina no século XIX

A partir do momento em que falamos sobre ambição feminina e posições ocupadas por mulheres no mercado de trabalho, é comum nos restringirmos a um período de tempo bastante limitado, porque essa ainda é a referência mais próxima e forte que temos sobre o assunto. Até a primeira metade do século passado, as atividades exercidas pela parcela esmagadora de mulheres à época ainda se resumiam às atividades domésticas, ao cuidado dos filhos e dos maridos; atividades tipicamente vistas como femininas, muito embora não fossem as únicas. Após duas grandes guerras, o mercado de trabalho sofreu mudanças consideráveis, tornando os espaços ligeiramente mais inclusivos – ainda que nunca iguais. Pensem em Peggy Carter (Hayley Atwell), durante e após a Segunda Guerra Mundial; pensem nas mulheres de Land Girls durante o mesmo período, ou então nas de Downton Abbey ao longo da segunda temporada da série, cujos acontecimentos ocorrem simultaneamente à Primeira Guerra Mundial. São exemplos que ilustram, em diferentes perspectivas, as atividades desempenhadas por mulheres durante grandes conflitos da História; trabalhos que eram fundamentais, é claro, mas que, não por acaso, são deixados de lado quando esses acontecimentos são relatados.

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CINEMA

Mary Pickford: muito mais do que a queridinha da América

“Para começar, olha quanto homem”, diria uma pessoa minimamente observadora ao pisar num set de filmagem pela primeira – ou pela vigésima – vez. Seria cômico se não fosse trágico: desde que o mundo é mundo, a indústria cinematográfica tem sido uma área composta substancialmente por homens; uma realidade que já dura décadas e que, a essa altura, sequer é uma novidade. A história do cinema, não por acaso, tem sido contada quase sempre por homens – a maior parte brancos – que são as pessoas que ainda mantém o poder sobre a indústria nas mãos; homens que são, quase sempre, muito talentosos, é verdade, mas é muito fácil ser talentoso quando se possui espaço para mostrar o próprio potencial.

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