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Ana Luiza

CINEMA

Thor: Ragnarok – Uma pausa para o fim do mundo

Na mitologia nórdica, Ragnarok (ou Ragnarökkr, em sua origem mais antiga; “consumação dos destinos dos poderes supremos”, por definição) é o nome dado a uma sucessão de catástrofes naturais e guerras entre deuses e monstros que resultariam no que pesquisadores e acadêmicos entendem como a escatologia nórdica; o fim do mundo profetizado na religião de germânicos e escandinavos. Figuras míticas fundamentais para a fé nórdica – pensem em Odin, principal deus do clã de Asses; em Thor, seu filho, deus dos trovões e das batalhas; ou, ainda, em Loki, deus da trapaça e das travessuras – seriam mortas em campo de batalha, cujo fim concretizaria a profecia mencionada na poesia éddica¹ ao submergir o mundo em água, o sol ser encoberto pela escuridão e o universo ser parcialmente destruído.

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LITERATURA

Me Diga Quem Eu Sou: a trajetória de dor, descoberta e superação de uma mulher bipolar

Verão de 1988. Helena Gayer, então com 21 anos, é diagnosticada com transtorno bipolar. De férias com os amigos, no litoral de Florianópolis, ela vê seu primeiro e mais devastador surto de mania tomar forma, até explodir como uma bomba, que espalha seus estilhaços por todos os lados e arrasta consigo tudo o que encontra pelo caminho; episódio que culmina em sua primeira – mas não última – internação em uma clínica psiquiátrica. Assim, a autora inicia Me Diga Quem Eu Sou, seu primeiro livro, cuja narrativa navega entre os extremos de dois mundos e, a partir de então, busca refletir sobre as nuances que existem entre e para além da mania e da depressão.
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CINEMA

Entendendo a romantização de transtornos mentais na ficção: o caso de Shangri-La Suite

No ano passado, a Obvious Mag publicou um texto que buscava discutir a romantização de transtornos mentais em diferentes obras do cinema mainstream. As Virgens Suicidas, Garota, Interrompida e o Lado Bom da Vida eram algumas das produções citadas pela autora, Raquel Avolio, cuja similaridade estava ligada ao fato de todas, em maior ou menor escala, tratarem a depressão, o suicídio, distúrbios alimentares, a ansiedade e o sofrimento de seus personagens como algo fascinante. Meninas adolescentes, para as quais a tristeza havia sido fatal, são retratadas com graciosidade, beleza e muitos tons pastéis, enquanto hospitais psiquiátricos transformam-se em lugares aconchegantes onde garotas cantam e tocam violão escondidas de madrugada, quase como se o diagnóstico as tornassem mais complexas e interessantes, e suas jornadas, invariavelmente mais poéticas.

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TV

Os Defensores: o que poderia ter sido

Em 2013, quando a parceria entre Marvel e Netflix foi anunciada, a principal pergunta que estava sendo feita não dizia respeito à união dos gigantes, mas para onde o Universo Cinematográfico Marvel estava indo. Séries de televisão cujo foco se voltava para as trajetórias e conflitos de super-heróis, via de regra, já não eram mais uma novidade, e com o sucesso dessas adaptações para o cinema e o novo momento que vivia a televisão, sobretudo a norte-americana, parecia uma questão de tempo até que essas histórias passassem a ganhar espaço na tela pequena – algo que, de fato, aconteceu. De heróis com poderes especiais a vigilantes, passando por alienígenas, mutantes e histórias de origem e vilões, todos ganharam espaço para construir narrativas tão diferentes entre si que o único fator que as unia era o fato de serem baseadas no universo dos quadrinhos e seus heróis.

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CINEMA

Crítica: Atômica

O Muro de Berlim (Berliner Mauer, em alemão) começou a ser construído na madrugada do dia 13 de agosto de 1961, com o intuito de dividir a capital alemã em dois polos: a República Democrática Alemã, ou Alemanha Oriental, socialista, liderada pela então União Soviética, responsável pela criação do muro; e a República Federal da Alemanha, ou Alemanha Ocidental, capitalista, encabeçada pelos Estados Unidos. Cerca de 190 ruas da cidade foram cortadas pelo muro, que se estendia por mais de 150 km de concreto e arame farpado, e separava não apenas socialistas e capitalistas, mas amigos, famílias; uma nação inteira.

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CINEMA

Crítica: A Torre Negra

Muito antes de ser anunciada como adaptação cinematográfica, A Torre Negra já era uma história de sucesso: iniciada em meados da década de 70, quando Stephen King ainda estava na faculdade, a série de livros homônima teve seu primeiro volume publicado em 1982, após a história ser dividida em cinco partes e publicada anteriormente em uma revista, entre os anos de 1973 e 1981. Foram mais de trinta anos até que a saga fosse concluída, tempo mais do que suficiente para conquistar uma legião de fãs – muitos dos quais consideram a obra o magnum opus do autor –, mas também para que muita História (essa, com “h” maiúsculo) acontecesse, transformando o mundo em que vivemos de formas que, até alguns anos atrás, pareciam inimagináveis.

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