Arquivo Anual

2018

TV

Everything Sucks!, um reinado nos anos 90

Com ar de comédia e estilo coming-of-age, Everything Sucks! é a nova série da Netflix, criada por Ben York Jones e Michael Mohan e lançada no último dia 16 pela plataforma de streaming. Assistindo ao trailer, sentimos que Everything Sucks! promete ocupar o vazio que Stranger Things deixa até a estreia de sua terceira temporada – não em razão do Mundo Invertido, das experiências esquisitas e da luta contra o mal presentes na sua irmã mais velha, mas por seu elenco majoritariamente adolescente, sua nostalgia declarada (agora nos anos 90), e a beleza e o horror que é ser jovem e se apaixonar. Continue Lendo

LITERATURA

5 brasileiras Extraordinárias para conhecer

“Cada mulher tem sua parte heroína”. É com essa frase que as autoras Duda Porto de Souza e Aryane Cararo abrem o texto de apresentação de Extraordinárias: Mulheres que Revolucionaram o Brasil, livro publicado pelo selo Seguinte da Editora Companhia das Letras. A premissa por trás do trabalho de Duda e Aryane é resgatar as memórias daquelas brasileiras que contribuíram de alguma maneira para construir nosso país, mas que nem sempre são lembradas pelos livros de História.

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CINEMA

Crítica: O Destino de Uma Nação

9 de maio de 1940. O então primeiro-ministro britânico, Neville Chamberlain (Ronald Pickup), perde formalmente o apoio majoritário do Parlamento, fator este que vai determinar sua renúncia ao cargo. Na época, Chamberlain era considerado incapaz de conduzir o Reino Unido frente à ameaça nazista, sobretudo após a quebra do Acordo de Munique pelos alemães, em 1939. O documento fora assinado no ano anterior e determinava que o território correspondente à antiga Checoslováquia deveria ser entregue à Alemanha que, por sua vez, concordava em não reivindicar quaisquer outros territórios. Era um importante passo para a manutenção da paz, Chamberlain acreditava, ou em suas palavras exatas “I believe it is peace for our time” [“Acredito que será a paz para o nosso tempo”, em tradução livre], e tanto o povo quanto o próprio Parlamento acreditavam junto com ele. A invasão alemã à Polônia, porém, pôs fim ao acordo e também à política de apaziguamento adotada pelo governo britânico, que não viu outra saída senão declarar guerra – o que vai evidenciar o despreparo do então primeiro-ministro diante do conflito. Após a renúncia, coube ao próprio Chamberlain indicar um sucessor apto a governar o país, fosse durante a guerra, fosse em tempos de paz. Entre os nomes sugeridos, destaca-se, inicialmente, o do Conde de Halifax (Stephen Dillane), que à época atuava como Secretário de Relações Exteriores, mas não é preciso ir muito longe para saber que Halifax jamais chegou a ocupar o cargo.

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LITERATURA

Cisnes Selvagens: memória e trauma na vida de três mulheres chinesas

Cisnes Selvagens

A história de alguns acontecimentos e lugares muitas vezes acaba sendo preterida por outras. Você já se perguntou por que conhecemos tanto sobre o Ocidente e quase nada sobre o Oriente? Ou por que nosso conhecimento em relação aos países asiáticos é tão pobre? É porque, infelizmente, a História é eurocêntrica, ou seja, quase sempre o enfoque de tudo volta-se para a Europa, e mais especificamente para a narrativa do homem branco heterossexual.

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CINEMA

Crítica: Três Anúncios Para um Crime, muito aquém do esperado

Três Anúncios Para Um Crime

Após longos meses de espera infrutífera pela solução do caso envolvendo o estupro e assassinato de sua filha Angela (Kathryn Newton) em uma estrada deserta próxima à cidade fictícia de Ebbing, Missouri, Mildred Hayes (Frances McDormand) finalmente perde a paciência e resolve tomar medidas “drásticas”. A mulher contrata a empresa de publicidade responsável por três outdoors abandonados na mesma estrada em que aconteceu o crime e – com fontes garrafais sobre um fundo vermelho – lança ao mundo a pergunta que não quer calar: Como pode, chefe Willoughby?

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LITERATURA

Só Escute: rompendo silêncios

Só Escute

No centro de Só Escute, livro mais popular da prolífica autora Sarah Dessen, está uma família aparentemente perfeita – pai, mãe, três belas filhas trabalhando como modelos – que vive em uma elegante casa de vidro projetada pelo próprio pai. Se alguém passasse pela casa à noite, nos conta Annabel, a narradora, veria uma família feliz compartilhando uma refeição pacífica. A felicidade irretocável e a perfeita harmonia em que os Green aparentam viver em muito se sustentam em tudo o que não é dito por nenhum deles. Em segundo plano, há uma série de não-ditos que atormentam cada um dos membros da família, em um lento mas constante processo de ebulição. Eventualmente, tudo isso domina e preenche o ar que os envolve, agindo de modo silencioso sobre sua relação uns com os outros e também com o mundo do outro lado do vidro. O silêncio é confortável, os priva de receber respostas indesejadas para perguntas que não querem fazer. Mas o silêncio também torna as relações distantes, torna mãe e filhas e irmãs estranhas umas às outras, interrompe as conexões que tentam estabelecer. Não existe conexão sem diálogo, sem franqueza, sem vulnerabilidade, diz o livro. É preciso falar. Mas também é preciso aprender a escutar.

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