Arquivo Mensal

Abril 2017

TV

The Paradise: uma história sobre ambição feminina no século XIX

A partir do momento em que falamos sobre ambição feminina e posições ocupadas por mulheres no mercado de trabalho, é comum nos restringirmos a um período de tempo bastante limitado, porque essa ainda é a referência mais próxima e forte que temos sobre o assunto. Até a primeira metade do século passado, as atividades exercidas pela parcela esmagadora de mulheres à época ainda se resumiam às atividades domésticas, ao cuidado dos filhos e dos maridos; atividades tipicamente vistas como femininas, muito embora não fossem as únicas. Após duas grandes guerras, o mercado de trabalho sofreu mudanças consideráveis, tornando os espaços ligeiramente mais inclusivos – ainda que nunca iguais. Pensem em Peggy Carter (Hayley Atwell), durante e após a Segunda Guerra Mundial; pensem nas mulheres de Land Girls durante o mesmo período, ou então nas de Downton Abbey ao longo da segunda temporada da série, cujos acontecimentos ocorrem simultaneamente à Primeira Guerra Mundial. São exemplos que ilustram, em diferentes perspectivas, as atividades desempenhadas por mulheres durante grandes conflitos da História; trabalhos que eram fundamentais, é claro, mas que, não por acaso, são deixados de lado quando esses acontecimentos são relatados.

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MÚSICA

Entre lobos e cordeiros: Taylor Swift e o que significa ser uma mulher sob os holofotes do mundo

Da escolha de seu nome, passando por mudanças de sonoridade até o uso das redes sociais: nada a respeito de Taylor Swift é por acaso. A escolha da capitalização das letras no encarte dos seus discos é a chave para mensagens secretas, seus clipes são carregados de simbolismos, 13 é o número de sua vida e ele está em todos os lugares, mas não é só isso. Seus pais escolheram lhe dar um nome sem gênero definido porque imaginaram que, caso ela resolvesse seguir carreira no mundo dos negócios, as pessoas não saberiam se Taylor fazia referência a um homem ou a uma mulher ao ver seu nome num cartão, lhe poupando, pelo menos no início, de ser subestimada apenas por ser mulher. 

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CINEMA

Que Horas Ela Volta? – o lado que ninguém quer ver

Que horas ela volta?

Quando falamos de mulheres no mercado de trabalho, é comum voltarmos nossos olhos para as chamadas “mulheres poderosas” – vulgo, aquelas que conseguiram de alguma forma ultrapassar o teto de vidro* e conseguir algum sucesso no mundo dos homens. Mas essa não é a realidade da maioria da população feminina. Ainda que as mulheres tenham começado a ocupar o espaço público e o mercado de trabalho, persiste a divisão sexual do trabalho que deixa sobre as suas costas também todo o trabalho doméstico. Algumas de fato acumulam as funções, enquanto outras fazem uso do seu privilégio econômico para contratar outras mulheres (em geral, pobres) para se encarregar dessas tarefas. É por isso que nessa semana dedicada ao trabalho, nós precisamos muito falar sobre Que Horas Ela Volta?.

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TV

Crítica: Girlboss – pelo direito de ser imperfeita

A seguir uma releitura livre de eventos verdadeiros. Muito livre. É com essas duas frases que a Netflix apresenta sua mais nova série de “dramédia”, Girlboss. Baseado no livro biográfico escrito por Sophia Amoruso, Girlboss chegou completa com seus treze episódios ao serviço de streaming no último dia 21 de abril. Produzida por um time de mulheres incríveis – de Kay Cannon, criadora de A Escolha Perfeita, à Charlize Theron, que dispensa apresentações, além da própria Sophia – a série surge como uma releitura bem-humorada da trajetória de Amoruso no mundo dos negócios; desde as pedras em seu caminho até o sucesso da Nasty Gal, sua marca milionária, passando por momentos de preciosas epifanias, amizades, romances, festas, conflitos familiares, em resumo, todas as nuances que fazem parte da vida de qualquer pessoa.

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CINEMA

Mary Pickford: muito mais do que a queridinha da América

“Para começar, olha quanto homem”, diria uma pessoa minimamente observadora ao pisar num set de filmagem pela primeira – ou pela vigésima – vez. Seria cômico se não fosse trágico: desde que o mundo é mundo, a indústria cinematográfica tem sido uma área composta substancialmente por homens; uma realidade que já dura décadas e que, a essa altura, sequer é uma novidade. A história do cinema, não por acaso, tem sido contada quase sempre por homens – a maior parte brancos – que são as pessoas que ainda mantém o poder sobre a indústria nas mãos; homens que são, quase sempre, muito talentosos, é verdade, mas é muito fácil ser talentoso quando se possui espaço para mostrar o próprio potencial.

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