Arquivo Anual

2017

TV

Problematizando Rory Gilmore: o revival

Quando ainda aguardávamos para saber por onde andaria Rory Gilmore (Alexis Bledel) em 2016, antes da estreia do revival de Gilmore Girls: A Year in the Life, fizemos questão de argumentar que a menina dos olhos de Stars Hollow passava longe de ser perfeita, mas que isso era ótimo. Ao contrário, Rory é complexa e, por isso, uma personagem muito humana. Desde lá, o revival veio e se foi e talvez nada nele tenha sido tão polêmico e discutido à exaustão quanto a caracterização da Gilmore mais jovem. Rory Gilmore é um monstro. Rory Gilmore é um desastre. Rory Gilmore nunca se tornou uma adulta. Rory Gilmore é… complicada.

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TV

O fim de Girls, e o que significa ser uma garota das garotas

Existem séries e séries. Algumas séries são aclamadas pela mídia e outras nem tanto. Girls sempre esteve no limbo entre ser querida e odiada. Afinal, é uma série de meninas brancas, escrita, à época, por uma garota branca de vinte e poucos anos, que conta a história de garotas brancas tendo que viver na mais badalada cidade do mundo – e como tudo isso é muito difícil. Com uma protagonista fora do padrão, o linguajar diferente, uma nudez e sexualidade sem glamour e sem vergonha, e a forma de conduzir a história que nada tem a ver com as mais comuns comédias americanas, Girls pode não ser revolucionária, mas é inegável que tenha conquistado seu lugar ao sol.

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TV

Maria Leopoldina: a arquiteta da independência brasileira

Embora eu não seja a maior entusiasta das novelas — o comprometimento diário de estar sempre a postos, no mesmo horário, para acompanhar os capítulos não funciona pra mim (e sim, eu sei que hoje em dia tem uma coisinha incrível chamada internet) –, quando vi as primeiras propagandas de Novo Mundo, trama das 18hs da Globo, fiquei interessada. Gosto de História e sempre fico empolgada quando personagens reais aparecem em produções pop — com exatidão histórica ou não, é sempre um meio para despertar as primeiras fagulhas de curiosidade que nos fazem correr atrás de fatos. E foi exatamente isso o que aconteceu quando parei para prestar atenção em Maria Leopoldina, interpretada na novela pela ótima Letícia Colin.

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LITERATURA

A Guerra Que Salvou a Minha Vida: o conflito pelos olhos de uma criança

Histórias sobre guerra não são novidade. Desde que o mundo é mundo, o ser humano vem se envolvendo em conflitos armados, em lutas pelo poder e disputas por territórios. A Guerra Que Salvou a Minha Vida, da autora Kimberly Brubaker Bradley, poderia ser apenas mais uma história sobre a Segunda Guerra Mundial — se a trama não fosse contada pelo ponto de vista da pequena Ada.

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TV

Crítica: Big Little Lies, uma história sobre mulheres

Para quem leu Pequenas Grandes Mentiras, romance da australiana Liane Moriarty lançado em 2014, a qualidade de Big Little Lies, minissérie da HBO baseada no romance, bem como sua boa acolhida pela crítica, não chega exatamente como uma surpresa. Bem humorado na superfície, o romance explora com responsabilidade e complexidade temas difíceis que vão desde os desafios da maternidade e o bullying escolar até estupro e violência doméstica – e sua capa original, de um colorido e vibrante pirulito explodido, representa o conteúdo perfeitamente. Ainda assim, nem sempre a transposição do literário para o audiovisual é um trajeto suave, especialmente quando falamos de conteúdos pesados e delicados na mesma medida, por isso um bom material de origem não era necessariamente garantia de uma boa série de televisão.

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TV

Doctor Who: mulheres incríveis no espaço e tempo

Um sonho comum a todo whovian é que o Doctor apareça na porta de sua casa, estenda a mão e o leve para conhecer tudo o que há entre o tempo e espaço a bordo de sua nave espacial/ máquina do tempo, a T.A.R.D.I.S. (Time and Relative Dimension in Space). Enquanto sonhamos acordadas com o dia em que isso acontecerá, um grupo de mulheres já viveu altas aventuras acompanhando o Time Lord entre o passado e o futuro, o início dos tempos e o fim de tudo. Cada uma dessas mulheres trouxe algo de especial para a jornada do Doctor, dizendo o que ele precisa ouvir em momentos cruciais, sendo a parceira no crime de que ele precisava e, why not, se metendo em confusões sem a ajuda dele – e saindo delas belamente também, sem precisar gritar por socorro. O texto de hoje é uma pequena homenagem a essas mulheres que chutam bundas aqui na Terra, na Roma Antiga ou em uma espaçonave cheia de dinossauros.

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