Arquivo Anual

2017

VALKIRIAS

Guia de fim de ano para presentear sua Valkiria favorita (ou aumentar sua própria lista de desejos)

Chegou aquela época do ano. Aquela época em que a gente finge que está nevando, apesar de ser verão no nosso hemisfério, e usa algodão para completar a brincadeira porque realmente essa é a única neve que tem capacidade para sobreviver ao calor de 40º de alguns lugares do país. Aquela época especialmente capitalista do ano em que as lojas ficam insuportavelmente cheias por convenção social, mesmo em tempos de crise econômica. Ainda assim, olhar a lista de desejos de alguém nunca deixa de ser uma forma interessante de conhecer um pouco mais sobre essa pessoa, e é por isso que encerramos o ano com essa belíssima e puramente utópica lista de coisas que nós gostaríamos de ganhar em algum momento (mas se alguém quiser nos mandar presentes de verdade também pode).

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LITERATURA

Troféu Valkirias de Melhores do Ano: Literatura – Parte 2

A escritora espanhola Rosa Montero disse que o atual papel da mulher na literatura é nomear o mundo a partir de suas vivências, contribuindo para a construção de um universo simbólico que passou vários séculos enviesado por uma perspectiva confinada ao masculino. É isso que as mulheres listadas aqui estão fazendo, nomeando o mundo a partir de seus mundos particulares, seja imaginando mundos distantes, refletindo sobre a própria identidade ou explorado sem medo ou pudor a própria sexualidade.

Com vocês, a segunda parte da nossa lista de melhores leituras do ano!

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LITERATURA

Troféu Valkirias de Melhores do Ano: Literatura – Parte 1

Quando se é mulher, reivindicar a própria voz é um ato revolucionário. Quando Virginia Woolf disse que, para ser escritora, uma mulher precisa de um pouco de dinheiro e um teto todo seu, ela estava listando duas coisas aparentemente simples que, analisadas no contexto da história das mulheres, representam algo grandioso. Ter algum dinheiro para se manter e um quarto para escrever é sinônimo de uma vida vivida com autonomia o suficiente para bancar o próprio ofício e ter a liberdade de exercê-lo — coisa que muitas mulheres nunca tiveram e ainda não têm. Seja a irmã imaginária de Shakespeare fantasiada por Woolf, ou as inúmeras mulheres cujo potencial é desperdiçado por conta da falta dessas duas condições básicas — que se manifestam seja na pobreza, na sociedade opressora ou num contexto de violência — o confinamento silencioso em nossa condição continua fazendo parte do nosso gênero, se manifestando com mais força para umas do que outras, mas ainda presente.

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CINEMA

Troféu Valkirias de Melhores do Ano: Cinema

Ainda que tenham sido responsáveis por filmes sucesso de público e crítica, mulheres continuam excluídas de uma série de premiações de cinema. É o que aconteceu, por exemplo, com o Globo de Ouro 2018 que, ao divulgar sua lista de indicados, não tinha sequer uma mulher nomeada na categoria de Melhor Direção. Em ano de Mulher-Maravilha e Patty Jenkins, de Lady Birdy e Greta Gerwig, de Mudbound Dee Reesa exclusão de mulheres nas categorias técnicas só se prova mais do mesmo em mais de setenta anos de premiação. No próprio Globo de Ouro, apenas cinco mulheres concorreram na categoria de Melhor Direção e apenas uma delas, Barbra Streisand, levou o prêmio para casa com seu filme Yentl de 1984.
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MÚSICA

Troféu Valkirias de Melhores do Ano: Música

2017 foi um ano de muitos ótimos lançamentos na área musical. Se é que algum fio condutor comum pode ser encontrado entre esses trabalhos tão diversos, ou pelo menos a maior parte deles, é a ênfase corajosa nos sentimentos, se permitir ser vulnerável diante do olhar público. Em certo sentido pode não parecer tanta coisa, músicos escrevem sobre seus sentimentos e suas vidas pessoais desde que o mundo é mundo, mas em algum nível parece que esse ano isso foi feito de uma forma ligeiramente diferente. Como cantado pelo queridinho do público Harry Styles — que não está nessa lista exclusivamente feminina, mas também lançou esse ano um álbum que se encaixa nesse mesmo padrão — em uma das músicas de seu novo álbum, “we are not who we used to be” [nós não somos quem costumávamos ser]. E de fato talvez não sejamos mesmo.

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CINEMA INTERNET LITERATURA MÚSICA TV

2017 – O Ano das Emoções

No segundo episódio do podcast da Rookie, Lorde proferiu: “2016 foi o ano de perceber coisas – como captado por Kylie Jenner –; 2017 é o ano das emoções”.

Apesar do ar de bruxaria, a fala de Lorde não foi de fato uma previsão do futuro, mas pôs em palavras o que o universo já nos indicava desde o dia primeiro de janeiro: 2017 foi o ano das emoções. Seja em nossas vidas pessoais, seja no âmbito coletivo, vivemos uma nova ascensão dos sentimentos, uma volta do Romantismo do século XIX agora revisitado pelos netos do Modernismo. Lorde, Lady Gaga, Kesha, Harry Styles, SZA  os mais variados artistas embarcaram nessa espécie de movimento cultural que já vem acontecendo há algum tempo, mas em 2017 se tornou evidente.

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